No ano de 1968
fui matriculado no segundo ano primário da escola da fazenda Caxambu!
Como a minha
benfeitora, Dona Branca, não iria lecionar na Sta. Maria, minha mãe resolveu
mudar minha direção! Essa escola ficava a mais ou menos quatro quilômetros longe de
minha casa, no sítio Matão! Saía de manhã e voltava ao meio-dia sempre sozinho!
Nunca entendi porque minha mãe não me punha junto com meus irmãos, mas, enfim,
se tinha que ir, eu ia desfrutando todo o encanto e perfume da mãe natureza,
fazendo da fauna e da flora meus companheiros de jornada!
Foi num dia
desses que eu caminhava sozinho pela estrada ladeada de eucaliptos, farinha-secas,
paineiras, capim colonião, muitos passarinhos e um odoroso perfume de flores
silvestres, que percebi a parada de um carro ao meu lado! Era o Sr. Ariovaldo
Felipe, bondoso comerciante de Viradouro, o qual me oferecia carona dizendo que
era muito perigoso um menino de oito anos andar sozinho por aquela estrada.
Aceitei a
carona e quando entrei no carro, ele me aconselhou a pedir à minha mãe que me
transferisse para a escola da fazenda Paraíso, onde sua esposa, Dona Leonice,
era a professora. Como ele a trazia todos os dias e a buscava ao meio-dia,
sugeriu que eu o esperasse junto à porteira da entrada do sítio. Ele me levaria
de manhã e me traria ao meio-dia quando fosse buscá-la!
Em agosto,
minha família mudou-se para a cidade de Viradouro, mas Dona Leonice não deixou que eu fosse
transferido, temendo que isso me prejudicasse no estudo!
Assim, durante
o resto do ano, eu ia à casa dela e de lá para a escola da fazenda Paraíso!
Foi um tempo
marcante pela convivência com um homem tão desprendido de si que preocupou-se
com um menino desconhecido, livrando-o quem sabe de alguma atrocidade, e uma
professora gentil, amorosa e caridosa também, pois presenciei muitas vezes
levarem pães para pessoas pobres, moradoras da fazenda!
É um dos
períodos mais lindos da minha vida e um dos poucos e doces encantos de minha
infância!
Obrigado, Sr. Ariovaldo e Dona Leonice! Devo muito a
vocês também!