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sábado, 4 de setembro de 2021


 

Pastor faz pergunta que deixa ateu perplexo

sexta-feira, 3 de setembro de 2021

Por que o Egito foi destruído na época de Moisés? - Quando devo parar de resistir?

Porque Faraó não soube quando parar de dizer não a Deus!
Se você não abrir o coração, vai cair no mesmo erro de Faraó!


 

quinta-feira, 2 de setembro de 2021


 

Da série: A Escolha (Miguel R. Silva)

 Capítulo III

Febre de amor

 

Muita coisa mudou na vida de Constâncio. Não andava mais de qualquer jeito e nem se misturava mais com a molecada que estranhava a ausência de Constâncio e se perguntavam o que teria acontecido porque ele não brincara mais com eles. Ele mesmo não sabia. Apenas sentia que o desejo de jogar bola, empinar pipa, correr na rua não existia mais. Gastava muito tempo no banho e quando saía, ficava muito tempo na frente do espelho. Porém, tudo isso parecia uma coisa muito sem sentido para ele. Alguns dos que estavam presentes no acidente de Marcos diziam que ele ficara traumatizado, mas a verdade é que ele ficara doente do coração, doente de amor. Sentia uma febre queimando-lhe o rosto. As mãos suavam e o pulso acelerava quando se lembrava de Natália, e não podia entender. Sentindo necessidade de desabafo contou a sua mãe num certo dia o mal que estava lhe atormentando. Dona Sabina pôs-se a rir do seu filho.

  

- Não acredito. Você está apaixonado?! Nessa idade, Constâncio?!! Tem pouco mais de onze anos. Se gostasse de alguma menina da sua idade, isso seria bastante natural, mas gostar de uma moça formada. E os sintomas que te afligem, meu filho, são realmente de alguém apaixonado.

- Mãe, não conta isso pra ninguém, tá? Tenho vergonha. As pessoas vão rir de mim.

- Não preciso contar, filho. Seu rosto conta tudo direitinho. Mas não tenha vergonha. É bom ser sentimental. Só acho um pouco cedo pra você. E sei que por isso vai sofrer um bocado, mas tudo passa. Não se preocupe. Até que você cresça, vai se apaixonar muitas vezes. Vai amar muito e será amado também. O amor é a coisa mais importante que pode acontecer na vida de alguém, meu filho.

- Sim. Mas o que faço pra que isso passe logo?

- Nada. Não adianta fazer nada e tudo o que fizer será pior. Tudo passa com o tempo. Passa sozinho. Quando menos esperar, já terá esquecido tudo.

Porém, Constâncio continuou pensando em Natália. Sonhava com ela. Deitava-se na cama e ficava imaginando que estava com ela no hospital. Via e revia a cena em que ela o abraçara e parecia que a alegria dela era por estar com ele. E divagava em seu sonho. Saía com ela do hospital de mãos dadas e iam se sentar em um banco do jardim. Ouvia-a dizer em seu sonho: “Eu te amo, Constâncio. Embora você seja uma criança, não consigo gostar de homem algum. Só você pode me fazer feliz”. Depois saíam dali no carro dela, e ela o dirigia. Passeavam pela cidade, devagarinho, ouvindo música no toca fitas. E assim devaneava em seus pensamentos até que, vencido pela canseira, adormecia.

Natália, porém, seguia seu destino, sem ao menos se lembrar do incidente. Nessa época, ela tinha um namorado que a levava sempre ao Rotisserie, um restaurante italiano que era bem frequentado, principalmente pela juventude nos finais de semana.

Uma noite, quando Constâncio voltava da casa de um tio onde havia ido levar um recado, passou por ali e viu os dois de braços dados entrando no Rotisserie. Entrou também. Observou que eram namorados, mas não se importou. Na verdade, ele sabia, mesmo inconscientemente, que jamais teria qualquer oportunidade. Logo eles se casariam, teriam filhos e viveriam felizes o resto da vida sem ao menos saber que ele existia. Em parte, isso era verdade, pois Natália nem sequer o tinha reconhecido e nem se lembrava mais dele.

Ele, porém, ficou sentado num canto, observando o casal conversar baixinho e sorrir sempre sem dar pela sua presença. Aquilo virou rotina na vida de Constâncio. Saía de casa para ir ao Rotisserie e voltava cabisbaixo, triste e pensativo. Algumas vezes, porque não dera sorte de a encontrar e outras porque os via sempre tão juntinhos. Queria estar no lugar daquele homem, ser ele, estar com ela, amar aquela mulher, ser importante para ela... Mas tudo aquilo era somente um devaneio! No entanto, Constâncio acabou se acostumando a ele, e o acalentava com todo carinho.

Um dia, eles não apareceram mais no Rotisserie. Passaram-se dias e semanas e nada daquele casal de braços dados sentando-se a uma das mesas e ficando a trocar beijinhos que matavam o Constâncio de um ciúme louco e inconsciente. Ele voltou ao ambiente para procurá-los durante o dia para ver se haviam trocado de horário, mas nada. Voltou à noite. Não encontrou ninguém. Um mês depois, Constâncio encontrou Natália na sorveteria Central, mas ela estava com algumas amigas, e nem sinal do namorado. Teriam rompido? Ele não sabia, mas estava tão feliz por revê-la. Aproximou-se dela e conversou com ela. Ela já não se lembrava dele. Então com muito esforço conseguiu lembrar-se do acidente, trocou duas palavrinhas sem entusiasmo com ele e foi embora. Mas ele estava todo feliz! Você pode imaginar! A saudade que sentia sendo removida de um terno e amante coração pré-adolescente. Depois disso, ele conseguiu descobrir a casa onde ela morava. Então um itinerário constante de ida e volta em frente a casa dessa mulher foi inevitável. Passava sempre afoito para vê-la sentada na varanda lendo um livro. Ela nunca o via. Ou se via, fingia o contrário. Mas um dia...

 

*****

Um dia, ele a encontrou perto do ponto de ônibus. Ela estava de viagem não se sabe para onde. Passou por ele sem o reconhecer, ou, pelo menos, se o viu, fingiu não conhecê-lo e desapareceu no meio de uma pequena multidão aglomerada em volta do ônibus. Constâncio ficou olhando de longe, enquanto o veículo conduzia sua bem amada para um destino e um tempo ignorado. Desde esse dia, ele definhou a olhos vistos. Sua mãe atribuía isso ao crescimento, à adolescência, mas nunca tomou conhecimento do que realmente se passava com ele. Ela não perguntou; ele também não tinha ânimo para contar-lhe. Ficou sozinho com todo aquele peso.

O tempo passou lento e pesaroso e ele nunca mais viu, nem teve notícias de Natália. Alguns anos depois, ele começou a trabalhar numa oficina de automóveis. Chegava aos quatorze anos e nunca mais vira Natália, mas ela ainda frequentava seus sonhos de menino. Toda noite ele a via mais bela e mais majestosa do que nunca. Ao acordar somente o desespero de quem sonha em vão e não se conforma com a dura realidade. Nessa idade, começou a fumar. Influenciado pelos colegas, e sentindo não ter o que fazer, achou que seria uma boa para mostrar para todos que era um adulto. Era, na verdade, um passo seguro para as drogas. Aos quinze, começou a frequentar a sociedade. Havia perto de sua casa uma praça onde o pessoal se reunia nos fins de semana como ponto de encontro da juventude. Nessa época ele estava fazendo a 8ª série e havia conhecido o Júnior, uma pessoa bem humorada e descontraída, com quem se identificava. Combinaram que iriam juntos e no sábado fizeram o primeiro passeio. Depois desse, outros se repetiram e tornaram-se rotina. O ambiente era interessante. Havia muitas moças bonitas e elegantemente vestidas que passeavam entre o pessoal. Era de se imaginar que Constâncio gostaria daquele ambiente. Ali era possível pensar na Natália como um sonho do passado e sonhar novas fantasias. Todavia, era doloroso pensar em Natália como passado. Era como se a tivesse, e a perdesse de repente. Mas o que se pode fazer? O que não tem remédio, remediado está! E procurando esquecer as fantasias impossíveis, Constâncio começou uma nova etapa de sua vida.

Naquele ponto de encontro, ele conheceu muitas garotas, e como era naturalmente agradável, fazia amigos com muita facilidade. Depois de algum tempo, ele conheceu Simone.

Ela era uma moça bonita, educada, simpática e muito agradável. O relacionamento foi simples, rápido e sem embaraço. Começaram a namorar. Duas crianças descobrindo-se como adultos prematuros. Tudo foi muito bom, esse namoro simples e natural, mas não durou mais do que um mês. Ela não apareceu mais, não deu nenhuma explicação e ele também não a procurou. Não se interessava, na verdade. Foi bom enquanto durou, mas não tinha importância se terminava. Nessa pausa, uma imagem voltou a habitar em sua mente. A imagem da fada: Natália, um sonho impossível. “Loucuras,” pensava ele! “São loucuras, mas eu daria qualquer coisa para realizar esse sonho!”

A rotina continuou em sua vida. Num domingo, Constâncio foi visitar uns parentes que moravam em uma estância a uns dez quilômetros da cidade. Era uma propriedade muito bonita. Tinha a entrada toda ladeada de coqueiros e flores silvestres. A casa era muito bem desenhada. Contava com uma varanda extensa e modulada em arcos góticos com uns desenhos marcantes em cada um deles. No fundo, tinha um celeiro onde se guardava a ração dos animais, e ao lado, um barracão onde ficavam as ferramentas da labuta e as máquinas. Tinha um mangueirão logo mais abaixo com uma criação de porcos já bem numerosa. À frente da casa estendia-se um pasto comprido caracterizado por moitas de juá. Bem lá no meio havia um princípio de capãozinho de mato, com alguns eucaliptos, farinhas-secas e também um amendoinzeiro. Do meio desse emaranhado saía um cipó entrelaçado às árvores com as flores desabrochando e ia encontrar-se com as flores de São João num abraço terno e afável no qual se lia a poesia e o romantismo da mãe natureza. Era uma vista impressionante e toda vez que Constâncio ia lá dava uma volta à cavalo com os primos admirando aquela paisagem maravilhosa e encantadora. Muitas vezes, enquanto passeava por ali, sonhava como seria bom se algum dia pudesse levar Natália para passear naquele lugar romântico e belo.

Lá da varanda, sentado confortavelmente numa cadeira de preguiça, observava o natural quadro que somente o mais hábil escultor poderia forjar. Estava deliciando seus olhos com aquele licor da natureza, quando de repente foi chamado à realidade. Como quem dormia e sonhava profundamente, ele voltou-se assustado. Era sua tia, uma mulher bastante jovem ainda e muito bonita.

- Ei, está sonhando? Então acorde que quero lhe apresentar a Carolina, uma prima que você ainda não conhece. Ela quer dar uma volta a cavalo, mas os meninos saíram todos para buscar uma máquina que o seu tio comprou, e eu pensei que você poderia acompanhá-la.

- Claro que sim, tia. Com muito prazer.

- Bem, como vocês ainda não se conhecem, quero que sejam amigos. E voltando-se para Carolina: Constâncio é muito comunicativo. Sei que serão bons amigos.

Constâncio passeou toda a tarde com Carolina que ainda não tinha visto as maravilhas daquele lugar. Desceu ao capão com ela, ladeando a passo de cavalo pela bela gramagem, contornando em seguida, a lavoura do seu tio com toda a plantação que, novinha, mal brotava da terra. Depois voltando a contornar o capão, ele a levou à fonte que despencava de uma alturazinha de dois metros. A fonte era uma visão encantadora naquela hora da tarde, quando o sol batendo seus raios na água cristalina formava lindo arco-íris nalgumas rochas engastadas ao lado da nascente.

Ali tomaram água, lavaram as mãos e sempre sorrindo e conversando, montaram e continuaram cavalgando em volta do capão. Depois regressaram à estância quando o sol já avermelhava as colinas. Carolina era uma menina de quinze ou dezesseis anos, morena alourada, com olhos azuis e um sorriso matreiro. Tinha a voz macia e suave como o canto das aves na primavera. Não foi, portanto, sem razão, que Constâncio, que buscava uma resposta para a sua indagação, visse nela uma fonte de alegria, ou um sonho futuro, ou mesmo a felicidade. Mas tudo não passou de uma sugestão de pensamento que ele não quis expressar. Tímido e medroso calou-se intimamente. Lembrou-se de Natália, do jogo de futebol na rua, do Marcos caído e Natália desesperada gritando: “Eu matei aquele menino”; do pronto socorro, do médico, da alegria dela quando soube que o menino estava bem. Era apenas um relance da lembrança que o subconsciente projetava em sua mente tão saudosa. Por que tinha que acontecer com ele? Porque não foi outro a ajudar a socorrer o colega? Por que o destino lhe pregava essa peça e não lhe devolvia a alegria de viver e a liberdade de escolha de quem deveria ser o seu amor como o de todo mundo? Antes tinha lhe imposto esse cativeiro amoroso até mesmo antes da hora e ainda agora não encontrava paz para sua alma.

- Até a próxima, Constâncio. Gostei de conhecer você. E o passeio também foi muito agradável. Obrigada. Espero vê-lo em breve.

Ele voltou de seus devaneios de repente. Deu de cara com Carolina que se despedia. Respondeu e despediu-se de todos, voltando para casa. Era um jovem marcado pelo destino para ser mais um mártir do amor, que embora parecesse tão belo, era cruel demais com tão sensível criatura.

A noite caiu quando ele chegou a sua residência. A noite parecia vir sempre trazer a angústia como um remédio noturno, sem o qual não conseguiria adormecer. Depois do banho, o jantar, dava um beijo na mãezinha e recolhia-se no seu quarto. Poderia gastar algum tempo vendo TV, mas isso seria uma raridade, pois seu programa favorito era sempre criado pela sua fértil imaginação.

 

*****

Apesar de não aceitar a idéia facilmente, Constâncio gostou muito de Carolina. Ela era uma jovem alegre e muito simpática. Qualquer pessoa agradável torna-se bonita e pode perfeitamente preencher algum vazio sentimental, principalmente quando não se tem esperanças de conquistar a pessoa amada. Assim foi que Constâncio logo se lembrou dela com saudade, e desejou vê-la novamente. O único problema que enfrentava era a lembrança amarga de uma mulher idealizada que não foi nada. Nada! Como doía pensar assim! Ela poderia ter sido tudo: a rainha, a princesa, os sonhos, o amor, a felicidade, o sorriso, a vida, enfim... Mas preferiu ser nada. O que ia fazer? Ia sofrer a vida toda por causa de quem nem sequer sabia que ele existia? E por que era tão importante assim aquela mulher? Por que tinha que ser ela?

- Isso não é justo – dizia ele. Por que teve de acontecer comigo? Por que gostar de alguém que não gosta de mim? – Na verdade, aquilo já tinha virado um amor obsessivo.

Mas num final de semana sua tia convidou toda a família para uma festinha de aniversário que um dos primos faria no próximo sábado. E lá foi ele sem ao menos imaginar que Carolina o estaria esperando.

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quarta-feira, 1 de setembro de 2021

Como lidar com o desprezo?

E sucedeu que, entrando a arca do Senhor na cidade de Davi, Mical, a filha de Saul, estava olhando pela janela; e, vendo ao rei Davi, que ia bailando e saltando diante do Senhor, o desprezou no seu coração. 2º Samuel 6:16


 

domingo, 29 de agosto de 2021