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sexta-feira, 27 de maio de 2022

A necessidade de crescer

 

“Antes, seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo”

Efésios 4:15

Um pequeno menino, nos Estados Unidos, ao retornar para casa após a Escola Bíblica, perguntou ao pai:

- Papai, minha professora estava lendo a Bíblia para nós - tudo sobre as crianças de Israel deixando o Egito, as crianças de Israel cruzando o Mar Vermelho e as crianças de Israel construindo o Templo. Ninguém cresceu durante todo aquele tempo?
Em inglês, a palavra “children” tanto pode significar crianças como filhos. O menino, ao ouvir a leitura, compreendeu que a Bíblia falava apenas de crianças.
Parece engraçado e apenas uma pequena confusão do garoto, mas se formos olhar para a igreja de hoje, constataremos que muitos de nós vivemos o tempo todo como se fôssemos ainda crianças que jamais crescem.
Se a irmã passa por mim e não me cumprimenta eu digo que vou embora porque ninguém gosta de mim. Se o meu pastor não me deu a atenção que eu desejava, bato o pé, faço pirraça e digo pra todo mundo que ele só se importa com um grupinho especial. Se não sou escolhido como líder de um departamento, fico de cara emburrada, cruzo os braços e digo que “já que não posso ser o dirigente, não vou ajudar em nada.”
Passamos anos na igreja e não crescemos nunca. Saímos de casa, vamos às reuniões, cantamos, ouvimos a Palavra e retornamos. Não passamos disto. Não nos preocupamos em conhecer a Bíblia, não testemunhamos das experiências espirituais e não prosperamos na vida cristã.
Deus espera muito de você, especialmente que cresça e seja uma bênção em Suas mãos.

Paulo Roberto Barbosa

segunda-feira, 23 de maio de 2022

A massacrante felicidade dos outros

 Há no ar um certo queixume sem razões muito claras. Converso com mulheres que estão entre os 40 e 50 anos, todas com profissão, marido, filhos, saúde, e ainda assim elas trazem dentro delas um não-sei-o-quê perturbador, algo que as incomoda, mesmo estando tudo bem.

De onde vem isso? Passei minha adolescência com esta sensação: a de que algo muito animado estava acontecendo em algum lugar para o qual eu não tinha convite.

É uma das características da juventude: considerar-se deslocado e impedido de ser feliz como os outros são - ou aparentam ser. Só que chega uma hora em que é preciso deixar de ficar tão ligada na grama do vizinho. As festas em outros apartamentos são fruto da nossa imaginação, que é infectada por falsos holofotes, falsos sorrisos e falsas notícias.

Os notáveis alardeiam muito suas vitórias, mas falam pouco das suas angústias, revelam pouco suas aflições, não dão bandeira das suas fraquezas, então fica parecendo que todos estão comemorando grandes paixões e fortunas, quando na verdade a festa lá fora não está tão animada assim.

Ao amadurecer, descobrimos que a grama do vizinho não é mais verde coisíssima nenhuma. Estamos todos no mesmo barco, com motivos para dançar pela sala e também motivos para se refugiar no escuro, alternadamente. Só que os motivos para se refugiar no escuro raramente são divulgados.

Para consumo externo, todos são belos, sexys, lúcidos, íntegros, ricos, sedutores.   Fernando Pessoa também já se sentiu abafado pela perfeição alheia, e olha que na época em que ele escreveu estes versos não havia esta overdose de revistas que há hoje, vendendo um mundo de faz-de-conta.

Nesta era de exaltação de celebridades - reais e inventadas – fica difícil mesmo achar que a vida da gente tem graça. Mas tem. Paz interior, amigos leais, nossas músicas, livros, fantasias, desilusões e recomeços, tudo isso vale ser incluído na nossa biografia. Ou será que é tão divertido passar dois dias na Ilha de Caras fotografando junto a todos os produtos dos patrocinadores? Compensa passar a vida comendo alface para ter o corpo que a profissão de modelo exige? Será tão gratificante ter um paparazzo na sua cola cada vez que você sai de casa? Estarão mesmo todos realizando um milhão de coisas interessantes enquanto só você está sentada no sofá pintando as unhas do pé?

Favor não confundir uma vida sensacional com uma vida sensacionalista. As melhores festas acontecem dentro do nosso próprio apartamento...

 

Martha Medeiros, gaúcha, jornalista e poeta.