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sexta-feira, 17 de junho de 2022

Afastamento de Deus

 Pai, eu quero me manter próximo ao Senhor, não cedendo aos meus desejos...


“Aleivosamente se houveram contra o Senhor, porque geraram filhos bastardos; agora, a Festa da Lua Nova os consumirá com as suas porções.” Oséias 5:7

Aleivoso significa desleal, traidor. E traição é uma coisa que realmente nem nós, seres humanos, conseguimos suportar, menos ainda o nosso Deus, que, revestido de uma santidade sem medida, nem suporta ouvir falar disso.
Gerar filhos bastardos significava, naquele contexto, que os homens daquela geração tomaram mulheres de outros povos, que adoravam a falsos deuses, e formaram famílias. É um símbolo da prostituição de um povo, que por tabela se entregou à adoração de outros deuses, falsos.
Mesmo olhando para isso com olhos pouco cuidadosos, perceberemos que Deus é ciumento com tudo o que Lhe pertence, e para falar a verdade tudo Lhe pertence, inclusive as pessoas. Somos feitura Sua, criados para Seu louvor e glória. Portanto, somos dEle.
Prostituir-se, sob as mais variadas formas, é algo que fazemos muito, mesmo hoje em nossos dias, por vezes até sem perceber. O que a Palavra chama de prostituição enquadra sexualidade fora do casamento, adoração a outros deuses, participação em cultos a outras divindades e coisas semelhantes a estas. E isso nós fazemos, mesmo sem ver.
Por exemplo: quando deixamos de adorar a Deus por causa de um jogo de futebol; quando retemos o perdão por causa de dinheiro; quando gostamos mais do dinheiro do que de nossa família; quando deixamos a oração de lado e nos dedicamos à TV; quando de qualquer forma tiramos a prioridade do nosso relacionamento pessoal com Deus, estamos nos prostituindo espiritualmente.
Isso tudo gera afastamento, porque a santidade de Deus é incompatível com qualquer uma destas coisas. Temos uma grande facilidade de cair nestas coisas e o problema está na raiz.
Nosso desafio é amar mais estar na presença de Deus do que a qualquer outra atividade. É coisa de coração.

“Pai, eu quero me manter próximo a ao Senhor, não cedendo aos meus desejos para não me afastar do Senhor.”

Pastor Mário Fernandez

quinta-feira, 16 de junho de 2022

O Caminho Para Encontrar Uma Alma Gêmea É Ser Uma Pessoa Com Alma

A união só é possível para aqueles que são únicos em sua singularidade.
Margaret Fuller

Muitas pessoas andam desesperadas por encontrar uma alma gêmea, alguém que corresponda à sua imagem de amor e de intimidade. Vão longe em busca de pessoas e gastam tempo considerável sentindo-se dolorosamente privadas das alegrias de intimidade que imaginam. Tal atitude pode ser resumida numa queixa frequente: Quando irei encontrar a pessoa certa para mim?

Tal abordagem do amor parece refletir o narcisismo dos tempos. Quando é que vou conseguir aquilo de que necessito para meu crescimento e para minha satisfação? Uma alternativa poderia ser dar toda a atenção à sua própria vida - desenvolver os próprios talentos, educar-se culturalmente, simplesmente tornar-se uma pessoa interessante - ou então a uma sociedade carente. Essa preparação de vida é um meio positivo de preparar a si mesmo para a intimidade.

O ensaio “Woman in the Nineteenth CenturY” [A mulher do século XIX], de Margaret Fuller, escrito em 1844, é um raro exemplo de profunda reflexão feminista vinculada aos antigos ensinamentos neoplatônicos a respeito da alma. Suas observações se aplicam tanto aos homens quanto às mulheres, tanto à sociedade quanto aos indivíduos e tanto à nossa situação atual quanto à dela. Ela estava plenamente consciente da tendência de buscar a vitalidade da alma exclusivamente no relacionamento com outra pessoa à custa da própria individualidade. No mesmo ensaio escreveu: “Caso um indivíduo se entregue exageradamente ao relacionamento, a ponto de passar a desconhecer os recursos de sua própria natureza, ele cai, depois de algum tempo, numa perturbação, ou numa imbecilidade, da qual só poderá ser curado após um período de isolamento que lhe conceda um tempo de renovação para voltar a crescer”.

Ao mesmo tempo, Margaret Fuller foi capaz de uma intensa e frutuosa intimidade, como no seu relacionamento, por vezes tempestuoso, mas sempre criativo, com Ralph Waldo Emerson.

Frequentemente tenho oportunidade de visitar a cidade de Groton, Massachusetts, e a cada vez fico pensando em sua famosa cidadã Margaret Fuller, recordando como ela, das mais diversas maneiras, conciliou os opostos em sua rica e trágica vida. Devotou-se à sua própria educação, ao envolvimento com o mundo da política e à reflexão profunda sobre a alma. Foi capaz de uma extraordinária amizade porque foi ardorosamente uma pessoa movida por suas paixões. Foi uma mulher de extrema imaginação e coragem.

Ter amizades profundas e relacionamentos expressivos é resultado de viver a própria vida com seriedade e dedicação. Fuller acrescentou uma condição ainda mais exigente: ser capaz de viver no isolamento, em celibato. “Para se adequarem aos relacionamentos no tempo, as almas, tanto a do homem quanto a da mulher, devem ser capazes de se arranjar sem eles, no espírito. ” O tempo que se gasta sozinho, a experiência de ser solitário, o espírito de celibato, tais aspectos, também, podem ser deliciosos para a pessoa que está em busca de uma existência cheia de vida, e podem ser elementos importantes para que se estabeleça um casamento ou uma amizade. Eles fazem parte da procura de uma alma gêmea, porque acima de tudo é preciso que todos tenham alma.  

A capacidade de solidão é um pré-requisito para a intimidade com outrem. De outra forma, pode muito bem ser que a procura desenfreada por um companheiro seja meramente expressão de um vazio pessoal e, se for esse o caso, qualquer relacionamento estará fundado sobre sol instável e não irá satisfazer o anseio de união. A expressão alma gêmea pode significar uma parceria em que a alma se envolve, em que a alma de um se liga a do outro. Isso não é coisa pouca, e postula algo bem mais profundo do que a resolução de uma simples busca por romance. Parte daquilo que constitui nosso anseio por uma alma gêmea é a intimidade recíproca e a expressão de nossa própria alma.

 

MOORE, THOMAS, O Self original – Meditações. Editora Versus, pág. 155-157

terça-feira, 14 de junho de 2022

Adornos do Coração

 O vosso adorno não seja o enfeite exterior, como as tranças dos cabelos, o uso de joias de ouro, ou o luxo dos vestidos, mas seja o do íntimo do coração, no incorruptível traje de um espírito manso e quieto, que é precioso diante de Deus.

1ª Pedro 3:3, 4

A raposa e o leopardo estavam disputando sobre qual deles era o que possuía maior beleza. O leopardo exibiu, um por um, todos os lugares ornamentados de sua pele. A raposa, interrompendo-o, falou:

- Muito maior beleza do que a sua eu tenho, não pela decoração do corpo, mas da mente.

É triste constatar que as pessoas, como os animais de nossa ilustração, se preocupam mais com a beleza física exterior do que com a beleza espiritual, interior.
A vaidade nos conduz, celeremente, a tentativas incessantes de mostrar aquilo que somos ou julgamos ser. Parece que, para nós, o mais importante não é o que somos ou julgamos ser, mas que sejamos notados e reconhecidos pelos demais. Para que nosso ego seja alimentado, exibimo-nos e esperamos
ansiosos pelos “merecidos” elogios e aplausos.
Mas os adornos que notabilizam uma pessoa não são aqueles produzidos exteriormente. Um cabelo bem arrumado, uma roupa adequada para a ocasião, uma joia de alto valor, podem tornar uma pessoa um pouco mais bonita por um momento, mas ao trocá-las tudo pode mudar. Um rosto bonito e um corpo bem cuidado também embelezam uma pessoa, mas isso também não é definitivo.
A verdadeira beleza, que encanta o mundo e alegra o coração de Deus não pode ser retratada por uma máquina fotográfica. Ela vem de dentro do coração e inspira transformação em todo o ambiente. Uma veste de ternura e amor embeleza mais uma pessoa que os trajes produzidos pelos mais caros estilistas desse mundo.
E esta beleza não é privilégio dos que possuem mais dinheiro. Ela não está à venda. É adquirida gratuitamente por todos que, com humildade, a buscam diante do Senhor, com o propósito de ser uma bênção nas mãos de Deus.

 

Paulo Roberto Barbosa