Nessa ocasião, eu havia me afastado um pouco da minha
religião, revoltado por ver tantas coisas erradas e que ninguém fazia nada para
impedir. Eu me sentia discriminado, pois havia uma enorme diferença por causa
das classes sociais. Mas não tinha nenhuma ideia de como resolver essa
situação. Continuava curtindo e muito a minha família.
Segui minha rotina, aliás, uma triste rotina, porque eu era uma pessoa muito triste que se esforçava para ser feliz!
No final de Março de 1983, minha esposa engravidou novamente.
Apesar de estar afastado de minha religião, eu obedecia cegamente as doutrinas
e os dogmas de fé, e um desses mandamentos dizia que era pecado tomar
anticoncepcionais e isso resultou em uma nova gravidez.
Meu filho Ivan nasceu no dia 17 de dezembro daquele mesmo ano.
Ao mesmo tempo que eu decidia que ela devia parar com o anticoncepcional,
estava trabalhando em uma usina e aconteceram algumas coisas que abalaram para
sempre meu modo de vida.
A pequena Diana era tudo em nossa vida. Vivíamos somente
para ela e tudo que podíamos fazer por ela, fizemos. Aliás, acho que fizemos
até o não podíamos, pois minha esposa se esforçava ao máximo para não me
contrariar, e também não sabia reclamar da falta de atenção. Eu era um tanto
desequilibrado em relação às minhas emoções e quando a Diana nasceu,
acerquei-me dela para dar-lhe a atenção que não havia recebido dos meus pais.
Minha pobre esposa!
Essa bicicletinha mostrada abaixo foi adquirida num tempo tão difícil, mas tudo
que ela queria era ver a filha feliz!
Eu havia começado a trabalhar na usina Sta Elisa, na fazenda Barra do Agudo. Lá, eu vi que teria oportunidade de sair da lavoura, se alguém quisesse me ajudar, dando uma oportunidade, pois tinha carta de motorista e muita habilidade no volante, mas ficou bem claro logo que ninguém me ajudaria.
Essa história é contada com todos os detalhes em meu livro SEM MEDO DE VIVER,
publicado por várias editoras.
Comecei a trabalhar na lavoura, fazendo valeta na turma do
Sr. Geraldo. Quando começou a safra, fui escalado para trabalhar na irrigação.
Enfrentar o terror da noite, do frio, dos fantasmas e demônios que me
perseguiam, mas era meu dever e eu fui.
Aquele resto de ano foi uma luta danada para comprar alguma coisa para a
família e o ano passou rápido.
Em 1983, logo no início do ano, fui separado para trabalhar na entrega de cana,
sendo obrigado a fazer um curso preparatório, porém acabei entregando
vinhaça.
Foi ali que tive meu primeiro contato com o evangelho, pois os outros foram um
abuso e uma tremenda falta de respeito.
Em minha juventude havia um homem que só sabia falar mal de minha religião, o
que me deixou sempre alerta contra os protestantes.
Agora via algo diferente. Alguém que testemunhava o poder do evangelho e que
não respondia minhas dúvidas com sua arrogante maneira de entender, mas usava a
Bíblia Sagrada para responder. Essa pessoa está no nosso grupo. Seu nome
é Santo Bellini. Ele foi o vaso que o Senhor usou para mostrar os erros de
um pecador errante que precisava da luz do evangelho do Salvador Jesus!
Foram tempos difíceis aqueles! Eu nunca sabia nada da vida!
Tudo o que eu queria era paz, mas não encontrava paz porque havia aprendido que
somos pecadores e essa ideia me trazia bem perto o inferno. Via minha filha
pequena e a esposa que, julgava eu, estavam sob minha responsabilidade tanto
nessa vida quanto na outra, e temia pelo futuro delas e pelo meu também!
Foi difícil entender e mais difícil ainda aceitar que toda a minha
religiosidade não significava nada para o Senhor, que somente o sacrifício
feito por Jesus seria recebido por Deus Pai e que somente assim eu seria
perdoado e poderia obter a salvação.
Convidado a ir à igreja Batista pensei muito. Então, quando me decidi, não foi
sem uma grande reserva que aceitei. Fui todo armado contra aquela situação que,
no meu entender, não se repetiria! Mas Deus sabe de todas as coisas e conhece o
nosso coração!
Quando conheci o Senhor em 1983, mesmo contra a minha
vontade, eu era um tremendo fracassado! Nada que eu havia tentado tinha dado
certo!
Quis estudar, mas entendi desde muito cedo que teria que trabalhar na lavoura.
Não lavoura do meu pai, mas a dos outros, como bóia-fria! Levantava todos os
dias às cinco da manhã, caindo de sono, e ia para o ponto esperar o caminhão
que me levaria à lavoura que às vezes ficava até trinta ou quarenta quilômetros
de distância! Tinha que por aquelas roupas de roça que eu detestava, usar chapéu
que eu odiava e calçava botinas ou conga que pra mim era um suplício! Mas o
pior de tudo era tentar, contra a minha vontade, me adaptar àquela gente que
parecia não me querer e também me adaptar àquele serviço que sempre detestei
porque deixava bem claro que não haveria nunca nenhuma mudança, e afirmava
minha condição de fracassado!!!
Em 1983, encontrei-me trabalhando num canavial, desta feita
marcando viagens de caminhão de vinhaça, ganhando um salário de fome, sendo
humilhado por alguns encarregados de setor e sem nenhuma chance de melhoria!
Porém, foi ali que o Senhor me encontrou!
Primeiro, Ele esperou que eu esvaziasse todo o meu ser daquele orgulho
religioso que afasta a todos de Sua presença. Então, Ele me induziu por um
caminho que atraiu ao mesmo tempo a ira de minha família e dos meus
encarregados de setor que tentavam de todas as formas extinguir o fogo de um
avivamento que nunca pôde ser apagado, pois quem iniciou tal incêndio foi o
próprio Deus!
Foi assim que começou a nova historia de minha vida!
Algumas pequenas complicações contribuíram para que eu
viesse pra casa com a promessa de voltar um dia, mas isso nunca aconteceu.
Logo, minha vida tomou outro rumo. Meu pai me requisitou para trabalhar na
roça.
Aos quinze anos, em 1975, eu já havia entendido que esta seria minha sina:
roça! Quanto mais cedo você entender, menos você sofre! Na teoria!!
Ainda assim, eu achava melhor sofrer na roça do que sofrer por um amor
impossível, embora fosse a mesma coisa, mas aqui eu tinha uma possibilidade.
Longínqua, distante e impossível, mas tinha! Lá, eu não teria nenhuma!
A coisa mais incrível do mundo foi conhecer alguém que tem a
fonte da juventude eterna. Eu conheci Jesus de Nazaré quando tinha 23 anos. Ele
tinha apenas 33; hoje tenho 52 e Ele continua com 33 anos. Cada dia mais jovem,
mais forte, mais poderoso, mais amoroso, mais cuidadoso com os que O amam.
Podemos não entender porque Ele permite que certas coisas aconteçam em nossas
vidas, mas sempre tem uma finalidade amorosa. Louvado seja sempre Seu Nome!
Minha ida à igreja Batista causou uma tremenda repercussão! Toda a minha família se revoltou, menos o meu irmão Dorival, que sempre foi de ficar na dele!
No entanto, essa revolta, ao invés de me desanimar, me animou mais ainda e
resolvi continuar indo à igreja. Só não queria compromisso com igreja de
protestantes, imagine! Mas Deus tem Seus planos e como disse Jó: "Nenhum
dos Seus pensamentos pode ser impedido!"
Com o tempo, minha própria revolta por abandonar a minha amada religião
desapareceu, eu me batizei e me deixei ficar à disposição do Senhor do
Universo!
Porém, minha história estava apenas começando. As lutas, as perseguições, as
dificuldades que teria que enfrentar antes de ser abençoado pelo Senhor ainda
estavam por chegar. Virei minhas costas ao mundo e ao amor religioso e segui as
pisadas do Mestre Jesus. Ainda bem que eu não sabia o que teria que passar,
pois se soubesse, certamente teria desanimado, mas, graças a Deus,
CHEGUEI!!!!!!!
Isso não é o fim da história! Voltarei muitas vezes para
dizer como o Senhor transformou o boia-fria em um professor e escritor!
Obs.: Se alguém quiser conhecer minha história com todos os
detalhes, já foi publicado um livro chamado O ESCOLHIDO que
relata com todos os pormenores minha caminhada para Cristo!
Hoje tenho o livro chamado SEM MEDO DE VIVER que enfoca meu irmão Dorival, sua
conversão e linda caminhada com Cristo até o dia do seu calvário!
No ano de 1992, eu tomei uma atitude totalmente inusitada em
minha vida! Eu vinha ouvindo os conselhos do pr. Santana sobre membros da
igreja se candidatarem a cargos eletivos e resolvi fazer isso! Eu estava
desempregado há um bom tempo, só fazendo bicos! Eu gostava muito de dirigir,
mas não tinha tido muita sorte em arrumar um emprego que garantisse o aluguel e
o sustento da família! Além disso, eu via tanta má vontade nos atuais políticos
e sabia que poderia fazer uma grande diferença!
Então, tá! Vou me candidatar a vereador! Perguntei ao atual pastor da igreja que
frequentava se poderia contar com o apoio dele e ele disse que sim! Porém, ele
não me deu apoio algum! Antes deixou que o filho dele trabalhasse para outro
candidato que nem tinha compromisso algum com a igreja!
Aprendi uma grande lição: homens vendem a alma por dinheiro!
Eu me vi sozinho nesta campanha, mas fui à luta, mesmo sem ter dinheiro, mesmo
sem apoio de ninguém! Não sou de desistir sem luta, correr da raia, não!
Resultado final: o dinheiro ganhou a eleição e eu fui abandonado pelos meus
próprios irmãos na fé!
Mas, não me desesperei, não! Fiquei muito triste, é normal! Todavia, eu sabia
que o Senhor jamais me abandonaria!
Quando me candidatei e me disseram que me apoiariam, eu
procurei uma escola em Bebedouro para estudar! Eu queria estar à altura do
cargo, se viesse a ser eleito! Queria estar capacitado para retribuir o voto de
confiança!
Quantas pessoas que não me suportam riram de mim e da minha derrota! Houve até
mesmo uma pessoa que riu na minha cara! Gargalhou feliz da minha derrota!
Eu tive apenas que engolir tudo aquilo a seco! O que poderia eu fazer, senão
entregar aquela humilhação ao Único que poderia suportá-la por mim? O Único que
parecia importar-se?
Mas, nem por isso desisti da escola! Nem por isso desisti de mim! Terminei o
primeiro grau na CEEJA "Prof. Hernani Nobre" em Bebedouro e logo em
seguida matriculei-me no segundo grau! Eu ainda não sabia até onde poderia ir,
mas iria até onde desse!
1994 marcou minha vida, pois foi nesse ano que o Senhor
começou uma grande transformação. Eu já tinha conseguido um emprego como
motorista de ônibus e levava o pessoal para trabalhar na usina MB e na fazenda
Barra do Agudo.
Quando chegávamos lá, tínhamos que limpar o ônibus e depois aguardar para
trazer o pessoal à tarde, quando não tinha alguma viagem no meio do dia!
Os outros motoristas terminavam a faxina no ônibus e iam jogar bola ou pescar,
ou dormir. Eu, porém, levava meus livros e cadernos e ia estudar, e me preparar
para fazer uma prova à noite, pois o curso consistia em eliminação de matérias
por módulos. Quando chegava em casa mal dava tempo de tomar banho e saía
correndo pra tomar o ônibus que levava os estudantes para Bebedouro.
Quando chegava de Bebedouro às 23:15h descia do ônibus dos estudantes e pegava
o meu para fazer uma troca de turno que terminava às 00:50h. Era quando eu ia
comer algo. Foi difícil, mas o Senhor via meu esforço e estava mais ansioso do
que eu para me abençoar.
No meio do ano, fui demitido injustamente e comecei a
trabalhar com um caminhão que transportava laranjas para Bebedouro e região,
mas continuei estudando.
Um dia, minha professora de português, a Fátima mandou em chamar em sua sala
para me informar que havia um concurso de redação a nível estadual e que o
prêmio seria um microcomputador!
Quem? Eu?!!! Jamais!!!!
Eu nunca ganhei nada em toda a minha vida! Por que agora
iria ganhar um computador? Mas ela insistiu e, um dia que acordei meio
revoltado com a vida, eu escrevi alguns desabafos.
À noite, mostrei para ela que disse sorridente: "É exatamente o que estamos
precisando!"
Naquele tempo, em 1994, nem mesmo a escola tinha computador. Então, o esposo da
Fátima, o Munhoz, datilografou a redação e ela mandou! Naquela escola, somente
eu fiz a redação! O tema era "Ações do Cotidiano para um Mundo
Melhor".
Venci em primeiro lugar e ganhei o computador!
Na escola, a alegria foi geral! Fizeram uma tremenda festa por causa disso! Eu
não entendia direito o que estava acontecendo, mas estava feliz também!
Hoje eu sei que o Senhor me pôs no caminho daquele pessoal maravilhoso para que
me ajudassem a encontrar um novo rumo. Nada foge de Seu controle e Ele usa quem
Ele quer!
Tendo conquistado aquele prêmio, comecei uma nova investigação. O computador
era um 386, com 8 MB de Ram e 160 de HD. Veio apenas com o programa MS-DOS e
foi nele que digitei os primeiros comandos. O Munhoz arranjou uma apostila de
informática e eu comecei a mexer nele!
Quando descobri o comando EDIT do MS-DOS e vi que podia salvar o que digitava,
comecei a escrever meu primeiro romance, hoje publicado por várias editoras, AQUELA PRIMAVERA DE 1972!
Mas outras bênçãos estavam me aguardando.
1994 foi o ano de grandes mudanças para mim! Foi meu último
ano de caminhoneiro!
Quando a notícia de que eu havia vencido o concurso se
espalhou pela escola, de repente, eu virei celebridade na escola.
O meu amigo, professor Munhoz, perguntou se eu pretendia fazer faculdade, pois
ele iria dar um jeito de conseguir uma bolsa para mim.
Então, ele falou com a professora Joana, que também era secretária na antiga
Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Bebedouro e ela se prontificou a
conseguir uma bolsa integral.
Assim, em 1995, num ato de muita ousadia, deixei meu ofício de caminhoneiro e,
tentando sobreviver com o novo recurso que nem sabia usar direito ainda,
iniciei meu curso de Letras. Fazia cartazes com dizeres, tais como: Não fume!
Não faço fiado! Vende-se! e saía com minha bicicleta visitando os bares, as
mercearias e outros locais do comércio pegando encomendas. Cobrava um real por
folha! Pegava também trabalhos e contratos para digitar e cobranças para fazer!
Dessa forma, o Senhor sustentou a mim e a minha família por algum tempo!
No primeiro ano foi tudo de graça! Não paguei nem matrícula!
Mas, com a chegada de 1996, as coisas mudaram um pouco.
A faculdade mudou de dono para dona e ela cortou todos os privilégios. eu, que
não tinha nada a ver com a historia, fui atingido! É sempre assim mesmo que
acontece: o inocente paga pelos pecadores! Perdi minha bolsa!
Mas os professores da "Hernani Nobre" foram até falar com a
proprietária e, depois de muita discussão, conseguiram um desconto de 40%!
Enfim, fiz o segundo ano.
No meio de 1996, já dando os primeiros passos como professor
de computação, o Pedrinho Bellini abriu um curso de informática na igreja
Batista e me convidou para ser o professor. Eu disse a ele que tinha medo de
assumir tal responsabilidade, mas ele me disse que se precisasse, ele me
pagaria um curso para me capacitar! Grande amigo!
No final de 96, tivemos que parar, pois a concorrência venceu!
Comecei 97 muito animado, pois seria a última etapa. Depois
de formado, eu poderia trabalhar como professor, mas a surpresa que me
aguardava revelava uma nova luta. Quando fui fazer a matrícula, soube que a
proprietária da faculdade havia cancelado o desconto, impossibilitando a
continuidade. Fui falar com ela, mas ela me maltratou e ordenou à secretária
que trancasse minha matrícula.
Faltava só um ano, mas fui interrompido!
Saí dali arrasado! Tinha deixado minha profissão pra fazer
uma faculdade que me foi oferecida e agora nem uma coisa, nem outra! Tive
vontade de dizer a ela que não tinha pedido nada a ninguém, que isso era uma
tremenda injustiça, mas sabia que não adiantaria!
Completamente humilhado, abaixei minha cabeça e saí. Fui procurar emprego!
Naquele início de ano, o Ronaldo me convidou para abrir uma
escola de informática na "Odulfo". Conseguiu com a diretora uma sala,
levamos nossos computadores e fomos batalhar para conquistar nosso espaço.
Porém, não deu muito certo, pois uma escola de outra cidade chegou primeiro e
ficaram apenas uns dez alunos que foi tudo que eu consegui.
Ao ver que não prosperava, Ronaldo saiu fora e me deixou tentando a sorte. Eu,
apesar das dificuldades, não desisti. Continuei tentando! Comecei com os dez
alunos imaginando que os outros viriam depois, todavia não vieram!
Durante cerca de três anos, eu tentei de todas as formas, ensinando informática
em minha casa, na escola Pró-Line, na Link, nas casas das pessoas, mas não
passava daquilo. Era a conta de comprar o arroz e o feijão, e não podia
sustentar um sonho!
O que eu ganhava dava pra comprar o feijão, mas havia outras
contas como o imposto, a conta de água e a prestação da casa que iam ficando
para quando fosse possível pagar! No entanto, meu esforço, minha dedicação e a
benção do Senhor não foram em vão. Foi uma forma de ficar conhecido como
professor de informática e fiquei mesmo, não somente como quem dominava, mas
como alguém que era apaixonado pelo conhecimento tecnológico, e isso eu sou até
hoje!
Fiquei conhecido como alguém que ensinava a operar um
computador, alguém que formatava computadores e no final do ano de 1999 o então
prefeito "Totó" mandou o "Piscuíra" me buscar em casa para
me fazer uma proposta. Ele ia implantar um projeto de informática nas escolas
municipais e queria três bons instrutores. Eu seria um deles!
Assim, no início do ano 2000, iniciei esta fase maravilhosa de minha vida que,
mesmo tendo me esbarrado em alguns espinhos, foi uma grande benção de Deus na
minha vida! Trabalhei neste emprego até janeiro de 2008!
Durante todo esse todo esse tempo, o Senhor me deu vários
livramentos, porque o inimigo de nossas almas não descansa nem de dia, nem de
noite. Fui caluniado, fui invejado, mas não fui destruído porque maior é aquEle
que está conosco do que aquele que está no mundo. E pude ver que o Senhor
reverteu em bênçãos todas as perseguições que vieram contra mim.
Eu trabalhava naquela escola e gostava muito da vida que
levava, mas uma sombra negra parecia estar pairando sobre minha vida. Nunca
podia fazer um crediário, um empréstimo, pois tinha medo de ficar desempregado
de um momento para outro.
Então, veio a convocação para escolher uma escola e exercer o cargo de
professor de Português.
Eu havia trabalhado durante três anos pagando contas e curtindo minha família e
nesse meio de tempo, prestei concurso várias vezes para Escrivão de Polícia! Na
primeira vez, reprovei! Na segunda, eu passei, mas não fui classificado. Fiquei
então esperando a terceira porque eu conseguiria atingir aquele objetivo com um
pouco mais de esforço!
No entanto, em 2002, fui informado que para continuar prestando concurso para
Escrivão, teria que terminar a faculdade!
Sendo assim, fui me informar se poderia voltar no terceiro ano, ou se teria que
recomeçar.
A secretária me informou que eu deveria prestar o vestibular
novamente! Se fosse aprovado, continuaria no terceiro ano, senão, teria que
começar tudo de novo, desde o primeiro ano!
Com a ajuda de Deus, prestei o vestibular e peguei o 18° lugar. Então, ela me
disse:
- Pode continuar no terceiro ano, mas você terá que voltar no ano seguinte para
fazer duas matérias que aumentaram na grade durante o tempo que você parou!
Voltei em 2003, aos 43 anos de idade, fiz o terceiro ano e no final do ano,
prestei concurso para Peb II e passei!
Na verdade, eu não queria ser professor, mas hoje vejo que o Senhor me conhece
mais do que eu! Eu só queria refinar meus conhecimentos para ser aprovado no
concurso para Escrivão e acabei me descobrindo como professor!
Outra observação: todos os concursos caducam após a primeira
chamada, mas eu soube que haveria prorrogação do concurso depois da chamada em
2004.
Veio a convocação no final de 2007. Novamente, o dilema: vou embora, ou não
vou?
Alguém me disse que eu era muito corajoso por sair de casa aos 48 anos de
idade, mas, na verdade, eu não tinha outra saída! Assim, eu fui para
Hortolândia.
Morando em Sumaré e dando aulas em Hortolândia, eu fiquei por quatro anos.
Hoje faço um paralelo para entender melhor o que Deus fez em
minha simples vidinha!
Ontem, eu era um roceiro sem nenhuma esperança na vida, preso num canavial, sem
liberdade nem para escolher o horário do meu trabalho, um trabalho que fazia
por necessidade, mas que não gostava de jeito nenhum! Detestava!
Hoje, um professor que ama o que faz com muitas portas
abertas, inclusive a editora que tem publicado meus livros, com toda a
liberdade para escolher o meu horário de trabalho.
Ontem, um homem fracassado!
Hoje, um homem vitorioso!
Ontem, um frustrado!
Hoje, um sonhador que não somente sonha, mas corre atrás dos seus sonhos!
Ontem, um homem que tinha vergonha de levantar o olhar para certas pessoas,
pois considerava-se inferior a elas!
Hoje, alguém que fala de igual para igual com quem merece!
Ontem, um perdedor qualquer!
Hoje, um homem de respeito!
Sei que batalhei muito e sacrifiquei muitas coisas em minha vida para conseguir
isso, pois tudo nesse mundo tem um preço. Porém, sem a ajuda do Senhor, eu não
teria conseguido nada disso! Ele é tudo em minha vida e tudo eu devo a Ele!
Toda honra, toda glória e todo merecimento eu dedico ao meu Salvador Jesus!
Seja exaltado para sempre aquEle que me abençoou dessa forma, como está
registrado nas Sagradas Escrituras: "Assim diz o Senhor DEUS: Tira o
diadema, e remove a coroa; esta não será a mesma; exalta ao humilde, e humilha
ao soberbo." Ezequiel 21:26
Meu louvor e minha eterna gratidão ao Pai das Luzes, Pai de nosso Senhor Jesus
Cristo, pois por Ele e por Seu infinito e incompreensível amor, eu venci todos
obstáculos no meu caminho e agora só me resta exclamar:
- Dê-me licença, vida, por favor, que quero passar e ocupar o meu lugar!
Os anos se passaram, mas eu ainda me lembro muito bem!
Aliás, uma coisa que merece louvor é minha memória! Consigo me lembrar de
coisas que fazia quando tinha apenas três anos de idade!
Eu odiei a roça desde que era obrigado a ir para lá e esperar minha mãe e meus
irmãos mais velhos trabalhar para ajudar meu pai! Eu tinha apenas que ficar
esperando, mas detestava ter que ficar na sombra de um pé de mamona durante
toda a tarde!
Quando vi que não teria outro jeito, tentei me conformar, mas sempre que via
uma oportunidade de fugir daquele trabalho forçado e sem valor, almejava desesperadamente
poder aproveitá-la. Entretanto, passei minha adolescência e juventude na
lavoura sem nunca ter tido a oportunidade de poder possuir um carro, ou
qualquer outra coisa de valor e que me desse alguma satisfação!
Tentei sempre de todas as formas encontrar uma saída, mas parecia estar num
beco sem saída! Ninguém me deu uma chance aqui em Viradouro! Trabalhei quatro
anos na Fazenda Barra do Agudo, mas não me deixaram nem mesmo guiar um trator!
Meu primeiro emprego como motorista surgiu quando, desempregado, trabalhava na
lavoura, a bendita lavoura!
Eu tinha um conhecido, o Miranda, que trabalhou na Barra do Agudo e que,
desempregado, foi trabalhar na Carvalho (Engenharia e Construções Carvalho
Ltda), de Ribeirão Preto! Saindo da empresa, ele me comunicou a vaga para que
eu fosse tentar trabalhar nela!
Quando me apresentei, o encarregado de transporte, o
Marinho, mandou que um motorista me levasse ao teste de volante! Como não tinha
prática, pensei que fosse reprovar no teste, pois os caminhões eram de cambio
seco, ou seja, a marcha precisa ser engatada no tempo certinho! Tive medo, mas
fui assim mesmo, pensando: "Se não conseguir, pelo menos dou uma volta
nesse caminhão"!
Ao regressar, Marinho perguntou ao motorista:
"E aí, menino, como ele foi?"
Momento de muita tensão!
"Olha, Marinho, ele deu umas raspadas, mas deu pra ver que ele tem noção e
dirige bem!"
E virando-se para mim:
"Olha, menino, você começa amanhã! Traga sua carteira profissional para
registrar!
Voltando para casa e pensando:
"Eu consegui mesmo?! Não estou sonhando?"
Foi meu primeiro emprego de motorista! Depois de tantos anos, eu tinha
conseguido escapar da lavoura! Glória seja dada ao Senhor, pois isso foi obra
Sua!
Comecei a trabalhar naquele emprego que parecia ser a melhor
conquista da minha vida. As pessoas que me desprezaram agora teriam que admitir
que Deus havia me concedido capacidade e eu fazia uma coisa que gostava muito:
dirigir!
Então, o motorista da turma saiu para trabalhar numa usina onde ganharia bem
mais. Então, o Marinho ordenou que eu o substituísse e minha rotina mudou um
pouco. Passei a ganhar mais porque o caminhão da turma ficava comigo e teria
direito a duas horas extras por dia. O caminhão era bem melhor do que o
outro e quando tinha que fazer alguma viagem mais longa, eu era enviado. Como
não bebia, passei a ser o motorista de confiança do Marinho.
Mas foi aí que surgiu um problema: com o final da construção da pista, a firma
ia para Ituverava e, se eu não quisesse voltar para a lavoura, teria que ir
também. Teria que morar nos alojamentos e vir para casa somente nos finais de
semana. Deixar minha família: esposa e filhos sozinhos? Jamais!
O que aconteceu?
Quando tudo “parecia” ir às mil maravilhas, houve um complô
contra mim. Quem era o mais interessado nessa história, eu nunca soube. Porém,
levantaram uma mentira tão tola que até hoje eu nem acredito que o sujeito caiu
nessa!
Havia uma turma de Bebedouro, da mesma firma, que nos ajudava no final da
construção e seu encarregado era de lá também. Seu nome era Nilson.
Bem, disseram a ele que eu havia dito que ele não mandava em mim! Coisa de
criança! Contudo, ele acreditou e veio tirar satisfações comigo! Eu neguei, é
claro, mesmo achando tratar-se de uma brincadeira! Mas ele estava sério e,
muito sério, me disse:
- A primeira coisa que vou fazer é tirar o seu caminhão!
Eu continuei achando que era brincadeira!
- Depois, ele continuou, mando você para o acampamento para cumprir seu aviso
prévio!
E, sem esperar mais nada, olhando para um dos funcionários ali presente, deu
uma ordem:
- Pegue esse caminhão e leve o Miguel para o acampamento. Ele vai assinar o
aviso prévio no escritório e ficar no pátio cumprindo o aviso até as duas da
tarde!
Foi então que caiu a ficha! Era real e eu estava demitido!
Eu estava no acampamento há uns cinco minutos quando
apareceu o Marinho. Eu sabia que ele gostava de mim e que me livraria desse
vexame. Porém, quando chegou, ele me disse:
- Por que você insultou o Nilson? Agora que ele te mandou embora, eu não posso fazer nada, pois ele também é encarregado!
Eu disse:
- Inventaram uma mentira e ele caiu direitinho! E me demitiu!
Ele disse:
- Bom, por enquanto, eu não posso fazer nada! Mas breve vamos para Ituverava! Quando estiver lá, eu te dou trabalho novamente!
Eu não queria mais! Nem queria ir para Ituverava!
Só me restava agora sair à procura de um novo emprego! Tinha a carteira registrada como motorista e com certeza conseguiria um novo emprego com facilidade, pois era isso que me cobravam sempre: experiência! Mas não consegui nada! Durante a semana seguinte, eu corri como um louco atrás de um novo emprego para não ter que voltar pra lavoura; todavia, nada consegui.
Então, teria mesmo que voltar pra lavoura?! Essa era mesmo minha sina?! Por um pouco de tempo, eu me achara livre, mas agora me deparava com a realidade. Tinha nascido pra ser boia-fria! E, não preciso ocultar isso, eu detestava ser boia-fria!
Não tendo outro jeito, apanhei minha enxada e fui trabalhar com meu pai na fazenda do Sr. José S. Gibran. Entretanto, trabalhei apenas uma semana ali, pois o empreiteiro, o Sr. Vilson, disse no sábado que queria vinte homens para trabalhar na lavoura de abacaxi da extinta Frutesp. Eu me ofereci para ir!
- Por que você insultou o Nilson? Agora que ele te mandou embora, eu não posso fazer nada, pois ele também é encarregado!
Eu disse:
- Inventaram uma mentira e ele caiu direitinho! E me demitiu!
Ele disse:
- Bom, por enquanto, eu não posso fazer nada! Mas breve vamos para Ituverava! Quando estiver lá, eu te dou trabalho novamente!
Eu não queria mais! Nem queria ir para Ituverava!
Só me restava agora sair à procura de um novo emprego! Tinha a carteira registrada como motorista e com certeza conseguiria um novo emprego com facilidade, pois era isso que me cobravam sempre: experiência! Mas não consegui nada! Durante a semana seguinte, eu corri como um louco atrás de um novo emprego para não ter que voltar pra lavoura; todavia, nada consegui.
Então, teria mesmo que voltar pra lavoura?! Essa era mesmo minha sina?! Por um pouco de tempo, eu me achara livre, mas agora me deparava com a realidade. Tinha nascido pra ser boia-fria! E, não preciso ocultar isso, eu detestava ser boia-fria!
Não tendo outro jeito, apanhei minha enxada e fui trabalhar com meu pai na fazenda do Sr. José S. Gibran. Entretanto, trabalhei apenas uma semana ali, pois o empreiteiro, o Sr. Vilson, disse no sábado que queria vinte homens para trabalhar na lavoura de abacaxi da extinta Frutesp. Eu me ofereci para ir!
Eu não estava sozinho, pois o Miranda, um motorista da
usina, tinha ficado desempregado e foi trabalhar comigo. Também o meu irmão
Dorival, que era motorista e estava em férias na Usina Sta Elisa, resolveu
correr atrás de alguns trocados e estava naquela lavoura comigo. Ele quis ir
para a Frutesp também.
Entre os vinte trabalhadores estava eu, o meu irmão, o Miranda, meu pai e outros que completavam a turma. Fomos carpir o mato da lavoura de abacaxi que ficava um pouco acima da fábrica. Trabalhamos alguns dias e o Dorival perguntou ao Donizete, o empregado da firma encarregado da lavoura, se a empresa não estava contratando motoristas e ele disse que estavam sim! Então, meu irmão me disse:
- Por que não tenta conseguir emprego aqui?
Inicialmente, achei que não valeria a pena! Não queria me mudar para lá e viajar todo dia para trabalhar parecia impossível. Todavia, acabei me convencendo que deveria fazer o teste! Se não aceitasse o emprego, pelo menos estaria preparado para fazer o teste da Sta Elisa, onde eu pretendia disputar uma vaga. Combinei com o Miranda e resolvemos tentar a sorte!
Entre os vinte trabalhadores estava eu, o meu irmão, o Miranda, meu pai e outros que completavam a turma. Fomos carpir o mato da lavoura de abacaxi que ficava um pouco acima da fábrica. Trabalhamos alguns dias e o Dorival perguntou ao Donizete, o empregado da firma encarregado da lavoura, se a empresa não estava contratando motoristas e ele disse que estavam sim! Então, meu irmão me disse:
- Por que não tenta conseguir emprego aqui?
Inicialmente, achei que não valeria a pena! Não queria me mudar para lá e viajar todo dia para trabalhar parecia impossível. Todavia, acabei me convencendo que deveria fazer o teste! Se não aceitasse o emprego, pelo menos estaria preparado para fazer o teste da Sta Elisa, onde eu pretendia disputar uma vaga. Combinei com o Miranda e resolvemos tentar a sorte!
As portas se abriram no mês de março de 1987 e eu comecei a
trabalhar na extinta Frutesp. Foi um dos melhores empregos que já tive. Pessoas
bem educadas, civilizadas e amáveis. Os veículos, ou eram novos, ou eram
reformados. O interior da fábrica sempre muito limpo. Tinha refeitório,
ambulatório e tudo era muito organizado e limpo. O salário era melhor que eu
poderia ter imaginado. Foram quatro anos de bênçãos, lutas, provações e
vitórias.
Mas, como toda bênção antecede a luta, assim como houve sete anos de fartura no Egito para depois virem sete anos de miséria, minha luta também chegou. No início de 1991, eu fiquei desempregado. A firma principiava desmoronar-se e eu fui um dos primeiros a provar o corte de funcionários.
Mas, como toda bênção antecede a luta, assim como houve sete anos de fartura no Egito para depois virem sete anos de miséria, minha luta também chegou. No início de 1991, eu fiquei desempregado. A firma principiava desmoronar-se e eu fui um dos primeiros a provar o corte de funcionários.
Uma vez fora do abrigo, senti o forte uivar do vento que
precede a tempestade. Tentei comercializar; não deu certo. Arranjei emprego na
Barra do Agudo. Piorou! Pensei: “Uma vez fora daqui, as coisas vão melhorar!”
Porém, quanto mais mexia, pior ficava! Cheguei às raias do desespero! Tendo
terminado a safra na Barra do Agudo, fui vender peixe! Então, as águas do rio
baixaram tanto que foi impossível continuar. Nesse clima, eu parei tudo! Não
dava mais para tentar nada! Três filhos pequenos, casa de aluguel, nada de
emprego... O que fazer?! Não sobrou nada para tentar!
Comecei a vender minhas coisas! Primeiro foi uma bicicleta quase nova; depois o lindíssimo aparelho de som! Aí, comprei algumas coisas e guardei o dinheiro do último mês de aluguel! Não restava mais nada para fazer, pois nem ânimo para procurar emprego, eu tinha mais! Pensava comigo: “Vou ser despejado!” Na maior angústia de minha vida, assentei-me no sofá de minha casa e aguardei o que viesse!
Naquele dia não saí para lugar algum o dia todo! Às três da tarde, alguém bateu palmas! Um dos meus filhos saiu para atender! Era um funcionário da Prefeitura avisando que levasse meus documentos à Prefeitura para acabar de acertar a papelada para tomar posse de minha casa, pois eu havia sido sorteado com uma casa popular! O Senhor tinha vindo em meu auxílio no momento mais negro de minha vida!
Comecei a vender minhas coisas! Primeiro foi uma bicicleta quase nova; depois o lindíssimo aparelho de som! Aí, comprei algumas coisas e guardei o dinheiro do último mês de aluguel! Não restava mais nada para fazer, pois nem ânimo para procurar emprego, eu tinha mais! Pensava comigo: “Vou ser despejado!” Na maior angústia de minha vida, assentei-me no sofá de minha casa e aguardei o que viesse!
Naquele dia não saí para lugar algum o dia todo! Às três da tarde, alguém bateu palmas! Um dos meus filhos saiu para atender! Era um funcionário da Prefeitura avisando que levasse meus documentos à Prefeitura para acabar de acertar a papelada para tomar posse de minha casa, pois eu havia sido sorteado com uma casa popular! O Senhor tinha vindo em meu auxílio no momento mais negro de minha vida!
O ano que ganhei minha casa foi o início de um ano terrível
também, pois o desemprego assolou nosso país de uma forma impiedosa e cruel,
sem levar em consideração quantas crianças teriam necessidade de pão! Naquele
ano, eu tive seis empregos e não consegui reter nenhum! Era caminhoneiro e fiz
tudo o que estava ao meu alcance para manter-me empregado. O último foi o
caminhão de um conhecido (já falecido) que fundiu o motor por falha de um
mecânico que ainda tentou me difamar! Era início de dezembro de 1992!
Aquele fim de ano foi marcante porque eu estava determinado
a não passar outro Natal da mesma forma que antes.
Desempregado, sem dinheiro algum, pus meu carro à venda, pois não ia permitir
que meus filhos passassem outro fim de ano sem brinquedos e todos nós sem um
almoço decente. Só consegui R$ 9.500,00 dos R$ 15.000,00 que ele valia. As
pessoas se aproveitam de suas dificuldades e quando veem que você está em
apuros sempre oferecem bem menos do que vale o objeto, e depois ainda se
vangloriam de ter comprado bem barato algo de alguém que estava "com a
corda no pescoço", como se isso fosse bonito e elogiável! Para eles, isso
significa esperteza, mas a Bíblia diz bem claramente:
O justo olha pela vida dos seus animais, mas as
misericórdias dos ímpios são cruéis. Provérbios 12:10
Não é bastante para eles ter seu emprego, sua casa, sua vida farta e abundante, eles precisam ainda tomar a preço bem baixo o que é do seu próximo.
Bem, estava agora sem carro, mas o que adiantava ter carro e não ter condições de utilizá-lo?
Além de tudo isso, eu tinha passado por uma situação bastante inusitada. Desempregado e sem perspectiva de emprego, segui a sugestão de alguns "amigos" e me candidatei a vereador! Como sempre fui um homem honrado, acreditei que as pessoas da minha comunidade tivessem confiança em me eleger. Se conseguisse, seria um bom vereador, o cargo poderia ser meu emprego, e eu poderia ajudar muitas pessoas, além de trabalhar honestamente para melhorar minha cidade!
Pensando assim, resolvi me preparar para ser um bom vereador! Procurei uma escola de supletivo em Bebedouro e retornei aos estudos começando na quinta série. Terminei a oitava antes das eleições!
Não é bastante para eles ter seu emprego, sua casa, sua vida farta e abundante, eles precisam ainda tomar a preço bem baixo o que é do seu próximo.
Bem, estava agora sem carro, mas o que adiantava ter carro e não ter condições de utilizá-lo?
Além de tudo isso, eu tinha passado por uma situação bastante inusitada. Desempregado e sem perspectiva de emprego, segui a sugestão de alguns "amigos" e me candidatei a vereador! Como sempre fui um homem honrado, acreditei que as pessoas da minha comunidade tivessem confiança em me eleger. Se conseguisse, seria um bom vereador, o cargo poderia ser meu emprego, e eu poderia ajudar muitas pessoas, além de trabalhar honestamente para melhorar minha cidade!
Pensando assim, resolvi me preparar para ser um bom vereador! Procurei uma escola de supletivo em Bebedouro e retornei aos estudos começando na quinta série. Terminei a oitava antes das eleições!
Resultado das eleições:
PERDI!!!
Mas eu não perdi nada! Eu ganhei! Porque, então, eu decidi
continuar meus estudos! Eu precisava saber se a população viradourense estava
certa, se eu era um incapacitado!
No início de 1993, meu irmão Dorival conseguiu emprego para
mim numa empresa de Pontal que transportava o pessoal para a fazenda barra do
Agudo e para a Usina MB. Eu trabalharia muito, mas também teria tempo de sobra
para estudar, e assim iniciei o curso supletivo de 2° grau.
Durante aquele ano eliminei quase todas as matérias e conheci uma pessoa que, para mim, é mais que uma irmã, devido à amizade que surgiu, a qual nos uniu em torno do mesmo ideal, a Karina!
Juntos, eu, ela e a Adriana, a qual não vejo desde aqueles tempos, batalhamos por um espaço só nosso na escola, e conseguimos, não foi, Karina?
No ano de 94, eu terminaria o segundo grau, mas não sabia mais o que fazer da vida. Aprendi, com isso, que quando você não tem mais planos, talvez devesse olhar para cima, pois Deus pode ter um plano pra você, pra sua vida!
Logo no início de 94, minha professora e amiga Fátima Munhoz me convidou para participar de um concurso de redação. Era a nível estadual e o prêmio seria um computador!
- Há! Há! Eu nunca ganhei nada na vida, disse eu. Por que ganharia um computador? Por que haveria de vencer um concurso?
Durante aquele ano eliminei quase todas as matérias e conheci uma pessoa que, para mim, é mais que uma irmã, devido à amizade que surgiu, a qual nos uniu em torno do mesmo ideal, a Karina!
Juntos, eu, ela e a Adriana, a qual não vejo desde aqueles tempos, batalhamos por um espaço só nosso na escola, e conseguimos, não foi, Karina?
No ano de 94, eu terminaria o segundo grau, mas não sabia mais o que fazer da vida. Aprendi, com isso, que quando você não tem mais planos, talvez devesse olhar para cima, pois Deus pode ter um plano pra você, pra sua vida!
Logo no início de 94, minha professora e amiga Fátima Munhoz me convidou para participar de um concurso de redação. Era a nível estadual e o prêmio seria um computador!
- Há! Há! Eu nunca ganhei nada na vida, disse eu. Por que ganharia um computador? Por que haveria de vencer um concurso?
- Mas não estou chamando você para vencer e sim para
participar!
- Eu não acredito que possa vencer, eu disse!
- Eu acredito em você, no seu potencial, e gostaria muito que participasse. Além disso, nunca sabemos quando vamos vencer. Por isso, é importante participar!
- Está bem! Eu vou escrever alguma coisa, concordei.
Mas os dias passavam e eu não achava nada para escrever. Até que um dia, quando estacionei o caminhão na sombra de uma árvore para esperar a carga (Eu tinha saído da empresa e trabalhava com um caminhão), a inspiração veio a mim na forma de uma revolta! Senti-me injustiçado e quis desabafar escrevendo algumas linhas. Até nisso vi a mão de Deus, que transforma nossas dificuldades em material de bênçãos! Quando terminei, li o que acabara de escrever e pensei: "Pode ser a redação que a Fátima me pediu!"
À noite, mostrei a ela, que ficou radiante.
- Vamos mandar! É isso mesmo!
Luiz Roberto Munhoz era namorado dela, na época! Hoje são casados e pais de uma linda mocinha! Ele datilografou o texto e ela mandou!
Esperamos o resultado!
Venci! Alcancei o primeiro lugar no estado de São Paulo!
Isso mudou minha vida!
- Eu não acredito que possa vencer, eu disse!
- Eu acredito em você, no seu potencial, e gostaria muito que participasse. Além disso, nunca sabemos quando vamos vencer. Por isso, é importante participar!
- Está bem! Eu vou escrever alguma coisa, concordei.
Mas os dias passavam e eu não achava nada para escrever. Até que um dia, quando estacionei o caminhão na sombra de uma árvore para esperar a carga (Eu tinha saído da empresa e trabalhava com um caminhão), a inspiração veio a mim na forma de uma revolta! Senti-me injustiçado e quis desabafar escrevendo algumas linhas. Até nisso vi a mão de Deus, que transforma nossas dificuldades em material de bênçãos! Quando terminei, li o que acabara de escrever e pensei: "Pode ser a redação que a Fátima me pediu!"
À noite, mostrei a ela, que ficou radiante.
- Vamos mandar! É isso mesmo!
Luiz Roberto Munhoz era namorado dela, na época! Hoje são casados e pais de uma linda mocinha! Ele datilografou o texto e ela mandou!
Esperamos o resultado!
Venci! Alcancei o primeiro lugar no estado de São Paulo!
Isso mudou minha vida!
Eu não sabia o que fazer com aquele computador! Não tinha
idéia de para que servia um! Propus em meu coração vendê-lo, mas o Munhoz me
aconselhou a esperar. Levei-o para casa e pedi ao Luciano para montá-lo, mas,
além de digitar Date, Time e Dir, eu não sabia mais o que fazer, e nem porque
fazer isso. Porém, esperava que algo grandioso começasse a acontecer, pois isso
deveria ter um propósito! E tinha!
Falando com a Joana, Munhoz conseguiu para mim uma bolsa de
estudos na então Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Bebedouro. Lá vou
eu para o Ensino Superior!
A partir desse acontecimento tudo começou a mudar! Meu amigo e professor Munhoz me trouxe uma apostila de MS-DOS na qual eu comecei a aprender uns comandos básicos. É claro que não entendia o significado de alguns termos, como: Copy, Format, Defrag, ScanDisk, mas se havia uma coisa que não me atrapalharia seria o medo. Nunca tive medo de nada, principalmente de aprender. Com isso acabei formatando os disquetes de DOS que tinham vindo com o computador e que foram recuperados pela Teresa, Oficial de Justiça, que se interessou pela minha história e me ofereceu um programa que usava para digitar seus textos, o Carta Certa, que nunca cheguei a usar por não ter domínio. Ao mesmo tempo, começava minha vida de universitário e conheci por lá a Sirlei de Cajobi que era professora de Informática e me ofereceu o programa WordStar e me deu as dicas de como usá-lo.
Nessa ocasião, eu já havia começado a escrever meu primeiro romance, A Primeira Primavera e passei tudo para o WordStar, mas logo o Tiago, meu amigo e cúmplice de minha escalada, me forneceu o programa Windows 3.11 e o Microsoft Word 6.0 e tive que atualizar meus trabalhos. Na mesma ocasião, o Munhoz conseguiu para mim um disquete com o programa Print Shop para fazer gráficos, banners e cartazes. Foi uma lição maravilhosa!
A partir desse acontecimento tudo começou a mudar! Meu amigo e professor Munhoz me trouxe uma apostila de MS-DOS na qual eu comecei a aprender uns comandos básicos. É claro que não entendia o significado de alguns termos, como: Copy, Format, Defrag, ScanDisk, mas se havia uma coisa que não me atrapalharia seria o medo. Nunca tive medo de nada, principalmente de aprender. Com isso acabei formatando os disquetes de DOS que tinham vindo com o computador e que foram recuperados pela Teresa, Oficial de Justiça, que se interessou pela minha história e me ofereceu um programa que usava para digitar seus textos, o Carta Certa, que nunca cheguei a usar por não ter domínio. Ao mesmo tempo, começava minha vida de universitário e conheci por lá a Sirlei de Cajobi que era professora de Informática e me ofereceu o programa WordStar e me deu as dicas de como usá-lo.
Nessa ocasião, eu já havia começado a escrever meu primeiro romance, A Primeira Primavera e passei tudo para o WordStar, mas logo o Tiago, meu amigo e cúmplice de minha escalada, me forneceu o programa Windows 3.11 e o Microsoft Word 6.0 e tive que atualizar meus trabalhos. Na mesma ocasião, o Munhoz conseguiu para mim um disquete com o programa Print Shop para fazer gráficos, banners e cartazes. Foi uma lição maravilhosa!
A partir de então eu poderia sobreviver com aquele
computadorzinho 386, preto e branco, com 160 MB de HD e 8 MB de Ram.
Foi assim que tudo começou a mudar!
Foi assim que tudo começou a mudar!
Quando o Munhoz me deu o disquete, fiquei ansioso para conhecer seu conteúdo e não contive a curiosidade!
Percebi que poderia fazer gráficos tais como: desenhos, bordas e letras
artísticas. Comecei a confeccionar anúncios para bares, mercearias e outras
lojas de pequeno porte que faziam seus escritos a mão. Os anúncios eram do
tipo: "NÃO FAÇO FIADO", "NÃO FUME", "VENDE-SE",
etc.
Com estes cartazes de anúncios numa pasta saí com minha bicicleta mostrando aos
interessados e pegando encomendas. Cobrava R$ 1,00 por folha. E assim,
conseguia salvar o feijão!
Andando pelas ruas, encontrei uma pessoa que estava visivelmente interessada em
meus dotes comunicativos: O Sr. Valdir! Ele havia presenciado meu comportamento
nos comícios quando fui candidato e dizia que eu tinha potencial. Só precisava
de um apoio! Convidou-me para fazer cobranças em seu estabelecimento e eu
aceitei!
Assim, fiquei por quase um ano fazendo cobranças e depois, convidado para organizar os arquivos de seus clientes, trabalhando dentro das duas farmácias!
Por fim, vendo que nunca passaria daquilo, decidi me demitir e tentar algo
melhor!
Nesse meio de tempo, fiz o primeiro ano de faculdade e já estava na metade do segundo quando decidi sair e formar minha primeira turma de computação. Reconheço que fui um pouco ousado, porém sei que a ousadia é mágica. Eu só tinha um computador pequeno, com foi citado antes, mas, mesmo assim, comecei, dei o primeiro passo, atravessei o Jordão.
Ao mesmo tempo que eu fazia isso, o Sr. Pedrinho Bellini abria uma escola de Informática numa sala do antigo templo da igreja Batista e veio me convidar para ser seu professor. A partir daí, tudo mudaria em minha vida!
Nesse meio de tempo, fiz o primeiro ano de faculdade e já estava na metade do segundo quando decidi sair e formar minha primeira turma de computação. Reconheço que fui um pouco ousado, porém sei que a ousadia é mágica. Eu só tinha um computador pequeno, com foi citado antes, mas, mesmo assim, comecei, dei o primeiro passo, atravessei o Jordão.
Ao mesmo tempo que eu fazia isso, o Sr. Pedrinho Bellini abria uma escola de Informática numa sala do antigo templo da igreja Batista e veio me convidar para ser seu professor. A partir daí, tudo mudaria em minha vida!
Continua...



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