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segunda-feira, 6 de janeiro de 2020

Minha segunda professora

No ano de 1968 fui matriculado no segundo ano primário da escola da fazenda Caxambu!
Como a minha benfeitora, Dona Branca, não iria lecionar na Sta. Maria, minha mãe resolveu mudar minha direção! Essa escola ficava a mais ou menos quatro quilômetros longe de minha casa, no sítio Matão! Saía de manhã e voltava ao meio-dia sempre sozinho! Nunca entendi porque minha mãe não me punha junto com meus irmãos, mas, enfim, se tinha que ir, eu ia desfrutando todo o encanto e perfume da mãe natureza, fazendo da fauna e da flora meus companheiros de jornada!
Foi num dia desses que eu caminhava sozinho pela estrada ladeada de eucaliptos, farinha-secas, paineiras, capim colonião, muitos passarinhos e um odoroso perfume de flores silvestres, que percebi a parada de um carro ao meu lado! Era o Sr. Ariovaldo Felipe, bondoso comerciante de Viradouro, o qual me oferecia carona dizendo que era muito perigoso um menino de oito anos andar sozinho por aquela estrada.
Aceitei a carona e quando entrei no carro, ele me aconselhou a pedir à minha mãe que me transferisse para a escola da fazenda Paraíso, onde sua esposa, Dona Leonice, era a professora. Como ele a trazia todos os dias e a buscava ao meio-dia, sugeriu que eu o esperasse junto à porteira da entrada do sítio. Ele me levaria de manhã e me traria ao meio-dia quando fosse buscá-la!
Em agosto, minha família mudou-se para a cidade de Viradouro, mas Dona Leonice não deixou que eu fosse transferido, temendo que isso me prejudicasse no estudo!
Assim, durante o resto do ano, eu ia à casa dela e de lá para a escola da fazenda Paraíso!
Foi um tempo marcante pela convivência com um homem tão desprendido de si que preocupou-se com um menino desconhecido, livrando-o quem sabe de alguma atrocidade, e uma professora gentil, amorosa e caridosa também, pois presenciei muitas vezes levarem pães para pessoas pobres, moradoras da fazenda!
É um dos períodos mais lindos da minha vida e um dos poucos e doces encantos de minha infância!
    Obrigado, Sr. Ariovaldo e Dona Leonice! Devo muito a vocês também!

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