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segunda-feira, 13 de janeiro de 2020

Um amor de professora


Em 1971 conheci vários professores! Seu Osmar Lessi ensinava frrãcêê! Dona Maria Olga, jovem loura bonita, de Jaboticabal, ensinava História, Maria Helena ensinava Matemática, Dona Eudenice ensinava Inglês, Dona Nancy, imortal para mim, ensinava Português, Seu Manoel ensinava Ciências, Seu Lellis do Amaral Campos ensinava Geografia e, se tem mais alguém, no momento não me lembro!
Contudo, sei que foi um mundo novo! Não precisava mais temer apanhar de ninguém, não ficava o tempo todo com um professor apenas e começava a me sentir mocinho! Sentia que todo aquele acanhamento ia encontrar uma válvula de escape e me deixar em paz! Não sabia, porém, que passaria várias situações embaraçosas e que descobriria que as pessoas podiam ser anjos ou... demônios!
Dos professores acima citados guardo a lembrança amiga do mais simples de todos: o Seu Lellis!
E a lembrança meiga e carinhosa da mais amiga de todos eles: Nancy Saab! Embora eu não soubesse demonstrar, era o coração de ouro daquela turma docente daqueles anos dourados, onde víamos beleza em tudo! Eu também não ajudava muito, pois não sabia ver como ela se preocupava com os mais pobres, como eu, por exemplo!
Sempre caminhava pelo pátio durante o intervalo, pois nunca tinha um centavo para levar à escola! Então nunca rodeei a cantina! Via de longe os cachorro-quente, os baurus, os pastéis, coxinhas e guaranás que eram vendidos e, para não passar vontade, andava pelo gramado, perto da quadra onde não veria o que não podia adquirir!
Todavia, várias vezes, eu via o Devanir Nunes, filho da caseira, caminhando em minha direção com um pastel ou qualquer outro salgado, ou refrigerante, a famosa Guaraná Paulista, enviados pela Dona Nancy! Por que se preocupar com um garotinho pobre que nem conversava com as pessoas direito? Porque um coração generoso inflamava seu peito de amor pelo próximo!
Dona Nancy, eu não sei por onde a senhora anda, mas quero que saiba que levarei para sempre em meu coração o sentimento de gratidão por tudo o que a senhora fez por mim, inclusive ter me reconhecido no antigo supermercado Coopercitrus em Viradouro no ano 2002! Meus sinceros sentimentos de gratidão te homenageiam hoje e ainda estarão comigo quando baixar à fria sepultura! Peço ao Senhor de todo o meu coração que lhe dê em triplo todo cuidado que me dispensou, mesmo que na época eu não soubesse agradecer! Eu nunca a esquecerei e nem perderei o desejo de vê-la novamente com saúde, firme, cheia de vida, encantadora como um anjo!

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