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terça-feira, 20 de julho de 2021

Talvez um dia sai... (A Conquista)

 

A Conquista

 

Rogério e Marina se casaram num dia festivo. Depois de uma festa pomposa, fizeram suas núpcias parecer um paraíso. Todas as pessoas que conheciam apoiaram sua união e diziam: “Têm tudo para dar certo, esses dois!”.

Os primeiros dias de casados foram uma deliciosa convivência de duas pessoas que se amam de verdade. Eram olhares, carícias, sorrisos... Mas como não existe felicidade completa, tiveram cedo um encontro com seus próprios defeitos. A vida desses dois parecia um paraíso, mas eles não conseguiam conviver com esses defeitos. No entanto, havia uma necessidade recíproca dos consortes que não podiam ficar à distância nem por um segundo. Paradoxalmente, não se suportavam nos embates, mas tinham que ficar juntos, embora contrários no parecer.

Ela era uma pessoa geniosa e autoritária, mas que tentava se submeter aos caprichos do destino que havia colocado em seu caminho um homem igualmente autoritário e genioso. Ele ia mais além; ele fazia questão de mostrar a todos que era de gênio mau. Se alguém deixasse de falar com ele, ele também não falava mais com essa pessoa por um bom tempo. Mesmo que fosse uma pessoa amiga, mesmo que se magoasse com isso. Queria mostrar que era machão! E um machão tem que ter pulso firme! Não pode retroceder! Não pode perder pontos para ninguém! Ela pensava da mesma forma; e agia da mesma forma! Talvez tivesse tomado ele por seu professor de vida, talvez não quisesse perder pontos para ele. De qualquer forma, era um estranho modo de vida que estava se desenvolvendo. Como viver juntos em paz e harmonia, quando ambos não querem perder pontos. Alguém tem que ceder. Como poderão andar juntos se não estiverem de acordo?

Mas o tempo passou depressa. Aliás, o tempo sempre passa depressa! Ele não espera ninguém se aprontar para a viagem. Se dormir, fica para trás. É preciso estar atento a cada minuto, a cada segundo para viver a vida intensamente. Não se pode deixar escapar nenhuma oportunidade, porque aquela não voltará nunca mais! Não adianta olhar pelo espelho do tempo e sentir saudades dos meus pais, se eles já faleceram! É preciso curtir a vida deles, a companhia deles enquanto os tenho, porque não sei quando os perderei! Assim Rogério despertou para a vida quando começou a olhar para dentro de si mesmo. Ele notava os defeitos de Marina e via-se a si mesmo em tais defeitos. Às vezes, culpava-se pelas atitudes dela e tentava fazê-la mudar. Mas ela não queria dar o braço a torcer, nem mesmo quando ele falava mansamente. Interiormente, ela achava que ele usava de astúcia para dobrá-la à sua própria vontade. Então não cederia nunca! O tempo passou. Às vezes, brigavam quando se excediam. Terminavam em abraços e beijos de reconciliação.

Mas, um dia...

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