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sábado, 25 de dezembro de 2021

Diário de um pai saudoso

 

25 de junho de 2013.

Penso em tudo que aconteceu e sinto a amargura da saudade corroendo meu peito pela ausência de um filho que está distante de mim há mais de 3 anos.

Eu morava em Sumaré, SP, quando ele decidiu ir embora de casa. Foi passear e voltou. Foi novamente e não voltou mais. Passou-se o ano de 2010. Aquele ano foi decisivo para mim, pois um filho estava longe do meu teto, vivendo com uma pessoa que ninguém da família aprovou. E agora, este havia saído também! Passei o final do ano e as férias com minha família em Viradouro e no final de janeiro fui com todos à atribuição em Hortolândia, passando na volta por Brotas. Para meu desespero, pude ver meu filho morando de favor na casa de outra pessoa, seu pretenso sogro. Meu coração doeu! O filho tão amado e tão bem cuidado vivia uma vida desprezível, servindo apenas de muleta e sendo tão maltratado.

2011 foi um ano bom pra mim, exceto pelo fato de ver meu filho perdido nos caminhos da vida. Clamei ao meu Salvador por ele o ano todo. Naquele ano consegui minha remoção para Cravinhos e me preparei para voltar para casa, mas ficaria ainda mais distante do meu filho.

Em agosto daquele mesmo ano, o Senhor resgatou meu filho George de sua perdição e ele voltou para casa, seguindo em janeiro de 2012 para Viradouro. Contudo, o Ivan ficava tão distante quanto inacessível para todos nós!

 

29 de junho de 2013.

Toda viagem que faço para Uberaba passo na estrada de Morro Agudo na ida e na volta. É impossível passar por ali sem me lembrar do meu filho Ivan, agora tão distante de mim. A saudade é corrosiva! Íamos aos cultos em Morro Agudo, na igreja do pastor Lourival, pois ele tinha um encanto enorme pelo povo dali, daí sua desilusão quando eles não vieram vê-lo em sua enfermidade. Sempre viajávamos no entardecer quando a noite cobria aquelas paragens com seu negro manto e sempre ouvia o tilintar do celular. Era meu irmão Dorival querendo dar dois dedos de prosa comigo. Ivan era novo de carta e ia dirigindo. Antes da ligação íamos conversando sobre vários assuntos e nunca estivemos tão próximos como naqueles dias.

Mas aqueles dias passaram. Eu fui embora para Sumaré, atendendo uma convocação e o deixei aqui, crendo que o encontraria quando voltasse, mesmo não sabendo quando voltaria, ou se voltaria. Contudo, quando voltei quatro anos depois, não o encontrei mais. Ele tinha seguido seu destino. Havia partido em busca de sua felicidade e nos deixou. Deixou seu lugar tão vazio, tão frio, tão saudoso que, mesmo sabendo que ele está bem, perco muitas vezes o ânimo de viver. Queria que ele voltasse! Que ocupasse seu lugar e que, quando tivesse que ir embora, que fosse para um lugar não tão distante de nós e que pudéssemos vê-lo quando batesse a saudade!

Por que você teve que ir para tão longe de nós e para alguém que o separa de nós, que o amamos tanto? Por que não esperou em Deus, O qual arranjaria uma esposa digna para você?

Volte, meu filho, abaixe sua cabeça e volte! Nós te esperamos sem nos cansar, pois tudo que queremos agora é que você volte para o seu lugar e confirmamos isso diante do Senhor!

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