Mt 28:18-20 “E, chegando-se Jesus, falou-lhes, dizendo: É-me dado todo o poder no céu e na terra. Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos. Amém. ”
Elias era um grande homem de
Deus: tinha muita fé, era pregador, profeta e conhecia os mistérios de Deus.
Ele tinha plena consciência que Deus estava com ele em todos os momentos.
Apesar disso, sentiu-se só e abandonado quando viu todos os seus companheiros
mortos. Ele jamais teria chegado ao ponto de desafiar os profetas de Baal e os
de Astarote, o rei Acabe e a fúria da influente rainha Jezabel, mas levado por
Deus, realizou aquela necessária faxina espiritual em Israel. Ao terminar o
sacrifício de fogo no apogeu de sua carreira, sentiu-se ameaçado por Jezabel e,
apavorado, fugiu para bem longe, porque achou que todos o tinham abandonado e
não tinha mais ninguém com ele. O que é que um homem pode fazer quando está
abandonado pelos irmãos, pela igreja e pelo próprio pastor? Então ele se
refugiou numa caverna onde o Senhor o encontrou.
- Que faz aqui, Elias?
Que pergunta?! Como se Deus não
soubesse! Mas a pergunta queria dizer exatamente isso: “Eu não o mandei vir
aqui, Elias. Mandei-o pregar a restauração de Israel. Então Me diga: por que
está aqui? ”
A resposta de Elias demonstra
que ele estava assustado, e também se sentiu pego de surpresa como quando
alguém é encontrado fazendo algo proibido. Também demonstrava incerteza,
insegurança, medo e solidão.
- Senhor, não tem mais ninguém
com quem eu possa contar! Como é que eu vou fazer a Tua obra? Pois mataram
todos os Teus profetas, derrubaram os Teus altares, só eu fiquei e estão me
procurando para me matar. O que é que eu devia fazer, Senhor?
- Olha, Elias,
eu vou te dizer o que deve fazer: volta pelo mesmo caminho por onde você veio, pois,
a sua tarefa ainda não terminou. Você vai ungir Hazael como rei da Síria, Jeú
como rei de Israel e Eliseu como profeta. Profeta em teu lugar! Ah, sim! Também
deixei sete mil homens de bem que estão prontos para Me seguirem e para Me
servirem em todo o tempo. Então, se está pronto, vá em frente, Elias, e lembre-se:
Eu estarei com você por onde quer que vá.
Eliseu
substituiu Elias pensando que estava sendo treinado para ser o companheiro do
mesmo, mas ele também se sentiu só quando Elias foi tomado. Ele havia seguido
aquele homem de Deus por toda parte. Tinha visto Deus usar Elias como ninguém.
Havia tantos milagres feitos por Deus através de Elias, que ele não poderia nem
imaginar uma vida sem Elias. Agora Elias havia sido levado pelo seu Senhor e
ele se sentia só. E quando precisasse de uma oração especial? E quando
precisasse de um milagre? E quando tivesse que enfrentar muitos inimigos? Como
faria, se Elias não estava ali? Aliás, ele já tinha um sério problema para
resolver: Elias o tinha conduzido ao outro lado do rio Jordão e não havia ponte
para atravessar de volta.
- Meu Deus, o
que vou fazer sem Elias? Ele sabia tudo que tinha que ser feito, ele fazia tudo
o que era necessário. Agora que ele se foi, eu estou perdido.
Mas, de
repente, ocorreu-lhe que somente Elias tinha sido arrebatado. Deus ainda estava
ali. Pertinho dele. Juntinho dele. Bastava invocá-lO e sentiria o Seu poder.
Então, ele segurou bem firme a capa de Elias, dobrou-a ao meio e bateu com ela
nas águas do Jordão, exclamando:
- Onde está o
Deus de Elias?
Na verdade, a
pergunta de Eliseu era uma confissão de que o Senhor estava bem ali pronto para
estender a Sua mão, para operar, e descobriu que Deus estava bem juntinho dele.
A partir dali, percebeu que o Senhor seria seu companheiro até o fim e, feliz,
foi realizar a sua missão, tendo superado em muito os feitos de Elias.
Qual seria a
expectativa do Senhor em relação a cada um de nós? Ele esperava bastante dos
Seus discípulos, esperava muito. Mas estes também se sentiram só: quando o
Senhor disse que iria morrer, quando Se despedia deles e, principalmente,
depois de morto. O medo, a angústia e a solidão deixaram-nos desorientados. O
que deveriam fazer agora? Voltar à pescaria? Eles não eram mais pescadores.
Eles eram companheiros ministeriais de Jesus e pregadores do evangelho. Mas
como poderiam pregar com Jesus morto? O que deveriam dizer? Poderiam saber se
realmente o Senhor iria ressuscitar? E se eles pregassem e o Senhor continuasse
morto? Então eles seriam ridicularizados! Mas, agora se perguntavam, por que
Deus permitiu que Jesus morresse? E o que deveriam fazer? Eles simplesmente não
sabiam!
Foi então que
cada um deles seguiu seu próprio caminho. Quem não tinha para onde ir, ficou no
cenáculo, mas dois deles tomaram o caminho de Emaús.
Iam tristes,
desolados, falando baixinho sobre a grande tragédia e talvez até se perguntando
o que seria deles dali para a frente. Porque eles haviam sido transformados
pela mensagem do Senhor Jesus, e nunca mais seriam os mesmos, mas não sabiam o
que deveriam fazer agora.
E foi assim que
Jesus Se aproximou deles e lhes perguntou:
- Que notícias
tristes são essas de que vocês estão falando?
E eles Lhe
disseram:
- Por acaso,
você é estrangeiro? Ou não esteve em Jerusalém nos últimos dias para saber das
coisas trágicas que ali aconteceram?
E Ele lhes perguntou:
- Quais?
E eles
começaram a falar da vida, do ministério e da morte prematura de Jesus na cruz.
Então Ele lhes disse:
- Como vocês
são loucos e demorados para entender as Escrituras! Por acaso, não é assim que
está escrito no livro dos profetas e nos Salmos, que Ele deveria padecer e
sofrer muitas coisas para pagar o pecado da humanidade?
Começou a
ensinar-lhes acerca das Escrituras Sagradas, e eles sentiam uma alegria
inexplicável em ouvir aquela mensagem tão confortadora. Chegaram em Emaús,
convidaram aquele estranho para ficar com eles e no partir do pão O
reconheceram. Então Ele sumiu e eles voltaram correndo para Jerusalém, para dar
a notícia aos que ainda O esperavam. A solidão se foi, o desespero se foi, a
condenação se foi... Voltou a esperança, a alegria e foram todos se encontrar
com Ele no monte das Oliveiras, onde Ele lhes deu a poderosa promessa que os
acompanharia por todo o seu ministério:
- É-me dado
todo o poder no céu e na terra. Portanto ide, fazei discípulos de todas as
nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo;
ensinando-os a guardar todas as coisas que Eu vos tenho mandado; e eis que Eu
estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos. Amém.
E é assim que muitas vezes nos sentimos também: parece que Deus nos deixou, porque coisas terríveis que nunca esperamos aconteceu conosco. Então pensamos em tomar nosso próprio rumo na vida, ou simplesmente nos sentamos na beira do rio de Babilônia com as harpas nas mãos e choramos. É como se Deus tivesse se cansado da gente. É como se Ele não Se importasse mais. E nesse momento o peso das nossas maldades nos esmaga. A solidão sufocante, o medo de não vencer porque nunca tem ninguém para nos dar a mão, para ser companheiro e todas as nossas tentativas foram frustradas. E quase sempre nos deixamos levar pelas circunstâncias como eles também.
Ah, mas Ele continua ao nosso lado independente das nossas falhas,
fraquezas e incoerências. E o Senhor nos encontra e nos diz: Que faz aqui? E continua dizendo: Esforça-te, tem bom ânimo e Eu serei
contigo. Eu te tomo pela tua mão direita e te sustento com a destra da Minha
justiça. Não temas. Não te afadigues. Confia em Mim e não nas circunstâncias e
Eu te abençoarei.
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