"Senhor, Tu me sondas e me conheces.
Sabes quando assento e
quando me levanto..."
Salmos, 139.1
O sentimento de solidão é algo comum a todos. Se fôssemos lembrar de quantas
vezes nos sentimos sozinhos, perceberíamos que não é "privilégio"
apenas de quem está num quarto escuro, numa "solitária" da vida. É
possível sentir-se sozinho na multidão, em meio aos familiares e amigos, e
também quando ninguém está, de fato, ao nosso lado. É difícil medir qual delas
é a mais insuportável. Esse sentimento, responsável por atos inconsequentes de
tanta gente, parece mesmo estar em todos os lugares. É algo intrínseco, que
muitas vezes não depende de fatores externos, como a companhia de alguém.
A solidão na multidão pode se dar pela frieza com que somos tratados. A
indiferença, o anonimato. Quase sempre é na multidão que nos sentimos mais
sozinhos. A solidão em meio aos familiares pode se dar quando não há
compreensão, não há tempo para se investir na troca de algumas palavras que
podem fazer diferença em nosso dia-a-dia, como "bom trabalho",
"bom dia", "tudo bem com você"? Entes fisicamente próximos,
mas emocionalmente tão distantes, vários lares estão sendo surpreendidos com o
uso de drogas, prostituição, traição, suicídio, porque não atentaram para o
risco da solidão causada pelo relacionamento frio e distante de pessoas que,
teoricamente, deveriam se amar e contar sempre umas com as outras.
A solidão em meio aos amigos pode se dar quando não se pode falar tudo o que se
deseja, quando os interesses pessoais tiram a liberdade de valorização de uma
real amizade. No momento em que mais precisamos deles, estão ocupados ou não
podem fazer nada, apenas lamentar, e nos levam a constatar que, na verdade,
sempre estivemos sozinhos e não sabíamos.
Por outro lado, pode até ser que na multidão se encontre alguém que faça com
que nos sintamos valorizados. Na família, a frieza seja uma exceção e não uma
regra; que, por fim, alguém "deu sorte" com a maioria dos amigos. Mas
uma coisa é certa: sentir solidão nesses vários contextos também faz parte da
experiência de vida de cada um.
A boa notícia: a solidão pode ser totalmente aplacada, mas apenas por um fator
- a existência de Deus. Quando vislumbramos o nosso Criador fazendo parte da
nossa história, podemos saciar a nossa sede de companhia apenas com a Sua preciosa
presença. Ele nos ouve com atenção, nos entende até mesmo quando não sabemos
escolher as melhores palavras para Lhe falar. Deus é um ser Pessoal e Absoluto,
pronto a relacionar-Se profundamente conosco, a ponto de nunca mais nos
sentirmos sozinhos, porque, de fato, nunca estamos.
Deus é o limite (final) da solidão. Ele é a companhia de todas as horas:
quando estamos sendo ignorados pela multidão, desprezados por um ente querido
ou mesmo traídos por um amigo. Deus, sim, é Onipresente, Onisciente e
Onipotente quando não conseguimos ver alguém ao nosso lado. Ele pode fazer
muito mais do que uma simples companhia quando a solidão nos bate a porta. Ele
sabe de tudo e pode fazer tudo por nós. Quando Deus chega, a solidão
desaparece.
"Senhor, Tu me sondas e me conheces. Sabes quando assento e quando me
levanto; de longe penetras os meus pensamentos. Esquadrinhas o meu andar e o
meu deitar e conheces todos os meus caminhos. Ainda a palavra não me chegou à
língua, e Tu, Senhor, já a conheces toda. Tu me cercas por trás e por diante, e
sobre mim pões a Tua mão." Salmos, 139.1-5
Nenhum comentário:
Postar um comentário