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sábado, 4 de junho de 2022

A solidão e seus limites

 "Senhor, Tu me sondas e me conheces.

Sabes quando assento e quando me levanto..."

Salmos, 139.1

           O sentimento de solidão é algo comum a todos. Se fôssemos lembrar de quantas vezes nos sentimos sozinhos, perceberíamos que não é "privilégio" apenas de quem está num quarto escuro, numa "solitária" da vida. É possível sentir-se sozinho na multidão, em meio aos familiares e amigos, e também quando ninguém está, de fato, ao nosso lado. É difícil medir qual delas é a mais insuportável. Esse sentimento, responsável por atos inconsequentes de tanta gente, parece mesmo estar em todos os lugares. É algo intrínseco, que muitas vezes não depende de fatores externos, como a companhia de alguém.

           A solidão na multidão pode se dar pela frieza com que somos tratados. A indiferença, o anonimato. Quase sempre é na multidão que nos sentimos mais sozinhos. A solidão em meio aos familiares pode se dar quando não há compreensão, não há tempo para se investir na troca de algumas palavras que podem fazer diferença em nosso dia-a-dia, como "bom trabalho", "bom dia", "tudo bem com você"? Entes fisicamente próximos, mas emocionalmente tão distantes, vários lares estão sendo surpreendidos com o uso de drogas, prostituição, traição, suicídio, porque não atentaram para o risco da solidão causada pelo relacionamento frio e distante de pessoas que, teoricamente, deveriam se amar e contar sempre umas com as outras.

           A solidão em meio aos amigos pode se dar quando não se pode falar tudo o que se deseja, quando os interesses pessoais tiram a liberdade de valorização de uma real amizade. No momento em que mais precisamos deles, estão ocupados ou não podem fazer nada, apenas lamentar, e nos levam a constatar que, na verdade, sempre estivemos sozinhos e não sabíamos.

           Por outro lado, pode até ser que na multidão se encontre alguém que faça com que nos sintamos valorizados. Na família, a frieza seja uma exceção e não uma regra; que, por fim, alguém "deu sorte" com a maioria dos amigos. Mas uma coisa é certa: sentir solidão nesses vários contextos também faz parte da experiência de vida de cada um.

           A boa notícia: a solidão pode ser totalmente aplacada, mas apenas por um fator - a existência de Deus. Quando vislumbramos o nosso Criador fazendo parte da nossa história, podemos saciar a nossa sede de companhia apenas com a Sua preciosa presença. Ele nos ouve com atenção, nos entende até mesmo quando não sabemos escolher as melhores palavras para Lhe falar. Deus é um ser Pessoal e Absoluto, pronto a relacionar-Se profundamente conosco, a ponto de nunca mais nos sentirmos sozinhos, porque, de fato, nunca estamos.

           Deus é o limite (final) da solidão. Ele é a companhia de todas as horas: quando estamos sendo ignorados pela multidão, desprezados por um ente querido ou mesmo traídos por um amigo. Deus, sim, é Onipresente, Onisciente e Onipotente quando não conseguimos ver alguém ao nosso lado. Ele pode fazer muito mais do que uma simples companhia quando a solidão nos bate a porta. Ele sabe de tudo e pode fazer tudo por nós. Quando Deus chega, a solidão desaparece.

           "Senhor, Tu me sondas e me conheces. Sabes quando assento e quando me levanto; de longe penetras os meus pensamentos. Esquadrinhas o meu andar e o meu deitar e conheces todos os meus caminhos. Ainda a palavra não me chegou à língua, e Tu, Senhor, já a conheces toda. Tu me cercas por trás e por diante, e sobre mim pões a Tua mão." Salmos, 139.1-5

Adriana Garcia de Oliveira

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