Aos dez anos de idade, tive uma professora que me bateu muito. Eu tinha vindo do sítio naquele tempo. Era pobre, simples e tinha a letra muito feia. É claro que queria ter uma letra bonita, mas eu simplesmente não conseguia. Ela chegava de manhã e ia direto ao meu caderno. Eu me sentava na primeira carteira, bem perto dela. Ela folheava meu caderno em busca de minha letra e então, sem aviso algum, desferia uma bofetada com toda a força que era capaz. Eu me lembro que chorava muito de dor, de vergonha e de humilhação por saber que os meninos e as meninas estavam vendo ela me bater daquele jeito. Eu não conversava na aula, pois era extremamente tímido! Também não era mau aluno, pois naquele ano ainda foi entregue o diploma da 4ª série e eu tirei a melhor média da sala: 94,0.
Quando me levantava de manhã e me arrumava pra ir à escola, eu punha minha blusa de flanela e, às vezes, ia descalço por não ter um calçado. Era simples e ingênuo como qualquer menino da roça. Caminhava tremendo de medo porque sabia muito bem que o “Bom dia” dela para mim seria uma tremenda bofetada em meu rosto! Tremia de medo, mas nunca faltei à aula e nunca contei para meus pais com medo de apanhar deles também! De todos os professores que tive, ela foi a única que me bateu! Eu me sentia excluído por ela, por ter a letra feia, por ser pobre, por ser simples, por não saber reclamar! Dos outros professores, nunca fui sequer repreendido!
Eu me senti excluído da minha família! Nunca fui aceito como sou! Minha família nunca me entendeu!
Também me senti excluído da vida! Não pude estudar como meus amigos e fui destinado pela vida a ir para a lavoura que eu detestava! E lá na lavoura me deixaram sempre o pior tipo de trabalho, excluindo-me de todas as oportunidades que teria para melhorar! Sempre sobrava para alguém, menos para mim!
Não precisei me desesperar: Deus mudou minha vida!!!
Quando Ele entrou em minha vida, me deu forças para lutar e para mudar minha sorte!
Transformou a vida de meu irmão Dorival, outro excluído da família, e nos aproximou para sermos amigos como poucos conseguiram nesta vida. Fomos mais do que isso! Fomos confidentes e cúmplices!
Então, num ímpeto de mudanças, eu consegui a profissão de caminhoneiro e saí da lavoura.
Ficando desempregado, fui estudar e tornei a melhorar, mudando de profissão várias vezes. Fui professor de informática, professor de português e realizei um sonho de criança: tornei-me escritor, hoje já com dois livros publicados pela editora Seven Systems e com alguns outros livros escritos aguardando apenas a oportunidade para serem publicados.
Louvado para sempre seja o Senhor do Universo!
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